17 de Agosto de 2017 / às 15:46 / em 4 meses

Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas depois de deslizamento de terra em Serra Leoa

FREETOWN (Reuters) - Soldados e voluntários equipados com pás e picaretas escavavam o local de um deslizamento de terra em Serra Leoa nesta quinta-feira em busca de centenas de corpos que ainda podem estar soterrados dias após o incidente.

Local de deslizamento de lama na cidade de Regent, Serra Leoa REUTERS/Ernest Henry

Aproximadamente 600 pessoas estão desaparecidas desde que uma avalanche de lama devastou casas nos subúrbios da capital, Freetown, na segunda-feira, disse a Cruz Vermelha, um dos piores desastres deste tipo de que se tem lembrança na África.

Cerca de 400 corpos foram encontrados.

Agências humanitárias alertaram que os corpos presos na lama provavelmente contaminarão as fontes de água e provocarão surtos de doenças, mas a chuva contínua tornou a busca difícil e perigosa.

“A topografia desta área não é facilmente acessível, mas como militares continuamos a avançar”, disse o coronel Abu Bakarr Bah, que lidera uma equipe de busca perto da cidade de Regent, onde parte da encosta de uma montanha desmoronou.

Empreiteiras locais emprestaram escavadoras, mas muitos voluntários estão cavando com utensílios domésticos e o que mais conseguem encontrar, relatou o porta-voz da Cruz Vermelha, Abu Bakarr Tarawallie.

“Tememos não haver mais sobreviventes”, disse. “Durante todo o dia de ontem ninguém foi achado vivo.”

O governo está se preparando para enterrar 300 corpos nesta quinta-feira, disse o porta-voz governamental, Cornelius Deveaux. Um enterro coletivo de 150 corpos já foi realizado, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Na quarta-feira famílias foram convocadas ao necrotério central para identificar parentes, mas muitos não conseguiram fazê-lo, e as autoridades foram obrigadas a enterrar os corpos por eles estarem se decompondo devido ao calor.

O enterro será realizado em um cemitério nos arredores de Freetown que foi usado durante a epidemia de Ebola de 2014-16, que matou 4 mil pessoas na ex-colônia britânica.

A escala do desastre se deve em parte às políticas habitacionais frouxas do governo, que deixou centenas de pessoas morando em assentamentos informais em áreas sujeitas a inundações, disse a Anistia Internacional, grupo de direitos humanos sediado em Londres, em um comunicado.

“Embora enchentes sejam desastres naturais, a escala da tragédia humana em Freetown é, infelizmente, em grande parte causada pelo homem”, afirmou Makmid Kamara, vice-diretor de temas globais da Anistia.

Reportagem adicional de Patient Ligodi

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