September 19, 2017 / 11:13 PM / in a year

Falta de ações práticas impede comunicado sobre Venezuela após jantar de Trump com líderes latino-americanos

NOVA YORK (Reuters) - O discurso dos líderes latino-americanos que jantaram com o presidente norte-americano, Donald Trump, de que houve sintonia plena nas posições relacionadas à Venezuela não refletiu o teor das conversas, o que impediu a divulgação de um comunicado conjunto após o encontro, disse à Reuters nesta terça-feira uma fonte brasileira com conhecimento das conversas.

A intenção inicial do governo norte-americano, negociada com Brasil, Colômbia, Panamá —que enviaram seus presidentes para o encontro— e Argentina —que teve como representante a vice-presidente— era de que fosse feito um comunicado final do jantar na segunda-feira. A falta de ações práticas, no entanto, impediu que a mensagem fosse distribuída.

Durante o jantar, Trump afirmou que estava disposto a tomar medidas adicionais contra a Venezuela, e em outro momento chegou a ameaçar com intervenção militar no país. No entanto, de acordo com os presentes, durante o jantar os presidentes latino-americanos reforçaram a ideia de que “intervenções externas” não funcionariam na região.

Ao discutir sobre sanções contra o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante o jantar, um dos presentes levantou diretamente com Trump a questão da interrupção da importação, pelos EUA, de petróleo do país sul-americano. A exportação de petróleo representa hoje 95 por cento da economia do país latino-americano.

O presidente norte-americano afirmou que não poderia fazer isso, segundo a fonte.

A razão seria econômica. O governo dos EUA importou da Venezuela, em 2016, 796 mil barris-dia de petróleo cru e seus derivados, de um total de importações anuais de 3.680.227 barris-dia, de acordo com dados da Agência Americana de Informações sobre Energia, órgão do governamental. Em 2015, foram 827 mil barris-dia.

Um estudo da consultoria norte-americana PKVerleger LLC aponta que o galão de combustível nos Estados Unidos, hoje em 2,31 dólares, poderia subir em algumas semanas entre 25 e 30 centavos com o fim das importações da Venezuela, quarto maior exportador de petróleo para os Estados Unidos.

De acordo com uma outra fonte brasileira, em discussões anteriores —ainda no âmbito diplomático— sobre sanções que poderiam realmente ser efetivas contra a Venezuela, países latino-americanos já haviam levantado essa possibilidade, de o governo dos EUA interromper as importações do óleo venezuelano.

Questionado pela Reuters, um funcionário da administração Trump contestou o relato de que o presidente havia descartado um embargo do petróleo. “Estamos procurando a maneira mais rápida e menos perturbadora de acabar com a crise na Venezuela, mas, em última análise, não pode descartar nenhuma opção”, afirmou.

Uma outra fonte norte-americana disse que a interrupção das importações venezuelanas não está na frente das ideias em consideração, dado o potencial impacto sobre as empresas dos EUA e os consumidores, mas permanece entre as opções que estão à disposição de Trump. “Vamos continuar avaliando as coisas.”

Ao impor sanções contra o governo de Nicolás Maduro, em julho e agosto deste ano, os EUA deixaram a importação de petróleo de fora. As sanções são jurídicas e financeiras, impondo bloqueio de bens e recursos de figuras proeminentes do governo venezuelano, inclusive do próprio Maduro.

Ao sair do jantar, o presidente Michel Temer confirmou que não haviam sido tomadas novas decisões sobre a Venezuela.

Na quarta-feira, os 12 países do chamado “Grupo de Lima” - Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru —reúnem-se em Nova York para discutir novamente a situação venezuelana e devem divulgar um comunicado.

Reportagem adicional de Jeff Mason

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