27 de Setembro de 2017 / às 14:03 / 2 meses atrás

Mulheres sauditas comemoram fim de proibição de conduzir automóveis

RIAD (Reuters) - As mulheres da Arábia Saudita acordaram com a notícia de um decreto real que permitirá que elas conduzam automóveis a partir do ano que vem – e algumas já estavam atrás do volante nesta quarta-feira, embora as carteiras de habilitação ainda demorem nove meses para serem emitidas.

Mulher dirige carro em Riad, na Arábia Saudita 22/09/2013 REUTERS/Faisal Al Nasser

“A Arábia Saudita jamais será a mesma. A chuva começa com uma única gota”, disse Manal al-Sharif, que foi presa em 2011 depois de um protesto, em um comunicado publicado na internet.

Vídeos online mostraram um punhado de mulheres dirigindo de terça para quarta-feira, já que o decreto do rei Salman foi anunciado na noite de terça-feira.

“Queria poder traduzir meus sentimentos neste momento. Sinto que ninguém além de nós pode entendê-lo plenamente”, disse Abeer Alarjani, de 32 anos, que planeja começar a fazer aulas de direção neste final de semana.

“Agora finalmente ousarei sonhar com ainda mais.”

A medida representa um grande rompimento com as leis e ditames morais aos quais as mulheres estão sujeitas no reino muçulmano conservador. O sistema de guarda masculina exige que as mulheres tenham a aprovação de um parente homem para tomar decisões relativas a educação, emprego, casamento, planos de viagem e até tratamento médico.

A Arábia Saudita, o berço do Islã, vem sendo muito criticada por ser o único país que ainda impede suas cidadãs de dirigir.

O decreto do rei Salman encerra uma tradição conservadora vista por ativistas de direitos humanos como um emblema da repressão às mulheres.

Acredita-se que ele favorecerá o príncipe da coroa Mohammed bin Salman, de 32 anos, que chegou ao ápice do poder no reino em três curtos anos com um programa de reformas domésticas ambicioso e uma política externa assertiva.

Uma reação contida do poderoso clero saudita, que apoiou a proibição durante muito tempo, deu a entender que a divisão de poder entre a dinastia Al Saud e o establishment religioso wahabita pode estar se inclinando de forma decisiva a favor da realeza.

Muitos sauditas mais jovens veem a ascensão do príncipe Mohammed como um indício de que sua geração está ocupando uma posição central no comando de um país cujas tradições patriarcais fizeram do poder o habitat dos mais velhos e que impediram o progresso das mulheres.

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