September 5, 2018 / 4:33 PM / 14 days ago

Manifestantes rohingyas pedem libertação de repórteres da Reuters em Mianmar

COX’S BAZAR, Bangladesh (Reuters) - Cerca de 50 refugiados muçulmanos rohingyas se reuniram em um enlameado campo esportivo em Bangladesh nesta quarta-feira para protestar a condenação de dois repórteres da Reuters em Mianmar, presos enquanto cobriam o sofrimento de sua comunidade.

Refugiados rohingya protestam condenação de repórteres da Reuters em Cox's Bazar, Bangladesh 05/09/2018 REUTERS/Poppy McPherson

Na segunda-feira, um juiz de Mianmar considerou os jornalistas culpados de violar uma lei sobre segredos de Estado, os condenando a sete anos de prisão, em um caso visto como um teste para o progresso democrático na nação do sudeste asiático.

Os dois repórteres, Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, estavam investigando o assassinato de muçulmanos rohingyas por forças de segurança de Mianmar quando foram presos em dezembro.

Os dois jornalistas se declararam inocentes.

Mais de 700 mil rohingyas fugiram do oeste de Mianmar, de maioria budista, para Bangladesh desde agosto, quando ataques de insurgentes rohingyas contra forças de segurança de Mianmar desencadearam uma ampla repressão militar.

Abdul Shakur, pai de Rashid Ahmed, um dos 10 homens cujas mortes foram expostas pelos repórteres da Reuters, estava entre o grupo que protestou em um campo de refugiados no sudeste de Bangladesh.

“Fiquei muito triste, porque meus filhos e outras famílias eram inocentes e os repórteres eram inocentes”, disse Shakur à Reuters.

“Por que foram condenados?”

O grupo carregava cartazes com fotos dos repórteres e gritava “Livres!”

“Espero que, se todos tentarmos, o governo os soltará”, disse Shakur.

Depois que os dois repórteres foram presos, militares confirmaram que o massacre de 10 rohingyas do vilarejo de Inn Din, no Estado de Rakhine, ocorreu e vários soldados foram processados e punidos.

Embora os militares tenham reconhecido os assassinatos em Inn Din, o governo tem negado a maioria das alegações de atrocidades cometidas por forças de segurança contra rohingyas.

O governo alega ter realizado uma operação de contrainsurgência legítima contra militantes muçulmanos que iniciaram a violência.

Rahama Khatun, viúva de outro homem morto em Inn Din, também estava no protesto.

“Nossos familiares faleceram, e ainda estes dois budistas foram presos”, disse ela, segurando um cartaz que dizia “Libertem Wa Lone and Kyaw Soe Oo”.

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