October 3, 2018 / 10:18 PM / 2 months ago

Autoridade da Igreja Católica do Chile exerce direito de silêncio em interrogatório

Por Natalia A. Ramos Miranda e Fabian Cambero

Arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, deixa audiência em Rancagua, no Chile 3/10/2018 REUTERS/Ivan Alvarado - RC19A5775200

SANTIAGO (Reuters) - O arcebispo de Santiago, a figura mais sênior da Igreja Católica Romana do Chile, exerceu seu direito de silêncio após ser convocado na manhã desta quarta-feira para interrogatório por um procurador por acusações de que ajudou a acobertar abusos de crianças.

O cardeal Ricardo Ezzati enfrenta diversas acusações de acobertamento, incluindo algumas relacionadas ao caso de Oscar Muñoz, um ex-assessor do arcebispado de Santiago, que enfrenta julgamento por acusações de que abusou e estuprou ao menos cinco crianças.

A Igreja Católica enfrenta no Chile e em outros países amplas acusações de condutas sexuais impróprias cometidas por padres e funcionários não clérigos e acobertamentos feitos por líderes da Igreja, e investigações de tais queixas em múltiplas jurisdições.

    A citação de Ezzati como suspeito em julho se mostrou especialmente dolorosa para autoridades da Igreja e tornou suas aparições públicas tensas em meio a protestos.

    Em julho, ele negou qualquer ato irregular, acrescentando em comunicado: “Eu reitero meu comprometimento e o comprometimento da Igreja em Santiago com as vítimas. Eu tenho a convicção de que nunca acobertei ou obstruí justiça e como cidadão irei cumprir meu direito de contribuir com todas as informações que podem ajudar a esclarecer os fatos”.

    Ezzati compareceu a um encontro pré-organizado com o procurador Emiliano Arias na cidade de Rancagua, a 80 quilômetros de Santiago, na manhã desta quarta-feira. O cardeal ficou pouco mais de uma hora e saiu sorrindo, sem falar com repórteres do lado de fora.

    Seu advogado, Hugo Rivera, disse a jornalistas que irão buscar o afastamento das acusações em uma audiência em tribunal. A data da audiência ainda não foi marcada.

    “Nós não estamos nos esquivando disto”, disse. “Por ora, o cardeal não irá fazer qualquer declaração até que nós tenhamos discutido a petição para afastamento (das acusações) com o escritório do procurador”.

    “Nós iremos discutir tudo em público, em tribunal, porque não temos nada a esconder”.

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