October 5, 2018 / 6:17 PM / 14 days ago

ESPECIAL-Parte dos republicanos evita falar de Trump em disputas acirradas para o Congresso

Por Peter Eisler, Jason Lange, Sharon Bernstein e Tim Reid

Parlamentar republicano Leonard Lance concede entrevista à Reuters 25/9/2018 REUTERS/Kevin Fogarty

STOCKTON, Estados Unidos, 5 Out (Reuters) - Leonard Lance é um congressista republicano que tenta a reeleição em um distrito republicano, mas tem pouco a dizer sobre o presidente dos Estados Unidos, seu colega de partido.

Seu site de campanha, que delineia suas posições sobre a imigração, os impostos e outros temas quentes, não tem uma declaração de apoio a Donald Trump.

Em suas contas de Twitter e Facebook, Lance tampouco teceu elogios ao presidente neste ano. Quando ele se refere a Trump, inclina-se mais a ressaltar suas diferenças. Ele copatrocinou legislações bipartidárias para restringir os poderes presidenciais para impor tarifas em importações e para exigir a reunião de crianças e pais imigrantes separados depois de serem pegos cruzando a fronteira do sul do país, e ainda expressou seu apoio ao controle das armas.

Lance disse não estar necessariamente tentando se distanciar de Trump. “Existem áreas de concordância, mas também ressalto as áreas de discordância”, disse ele em uma entrevista. Em um distrito moderadamente conservador, acrescentou, sua abordagem “bipartidária” é “coerente com as opiniões da maioria dos eleitores”.

Mas sua abordagem também reflete uma realidade mais abrangente. As eleições parlamentares de novembro são vistas por muitos como um referendo sobre o presidente, e nos subúrbios abastados e tradicionalmente republicanos de North Jersey nos quais Lance concorre não existe muita afeição por Donald Trump – um desafio enfrentado por candidatos republicanos em distritos semelhantes de toda a nação que estão tentando capturar os eleitores que oscilam entre moderados e conservadores de que necessitam para vencer.

Situado no círculo periférico dos subúrbios da cidade de Nova York, o sétimo distrito congressual de Nova Jersey foi um bastião republicano durante três décadas. Trata-se de um enclave de eleitores brancos, ricos e escolarizados onde a renda média supera os 100 mil dólares e quase três quartos dos adultos foram à faculdade.

O sétimo distrito é um exemplo típico dos distritos de renda mais alta e geralmente suburbanos que são campos de batalha na luta pelo controle da Câmara dos Deputados em novembro.

Trump desfruta de um grande apoio em seu partido. Pesquisas Reuters/Ipsos apontam que ele tem 82 por cento de aprovação entre os republicanos inclinados a votar, mas esse apoio diminui entre correligionários com diplomas universitários e rendas mais elevadas. Em 2016 ele se saiu mal em muitos distritos onde este eleitorado predomina.

Alguns republicanos desencantados repudiam políticas de Trump, especialmente as relativas à imigração, ao meio ambiente e às relações EUA-Rússia, segundo pesquisas. Com ainda maior frequência eles criticam o presidente por ser polarizador e desrespeitoso.

Agora que sondagens e analistas veem os democratas conquistando uma maioria na Câmara, os republicanos envolvidos em disputas acirradas precisam de cada voto. E poucas perguntas ganham mais destaque do que o quanto eles deveriam se alinhar ao presidente.

A resposta para muitos é: fique quieto.

Nos 56 distritos mais disputados, os indicados republicanos de 19 – mais de um terço – não expressaram apoio a Trump em seus sites de campanha ou em publicações de campanha no Twitter e no Facebook feitas neste ano, mostrou uma análise da Reuters.

A tendência é particularmente acentuada nos 10 campos de batalha mais ricos. Só quatro dos candidatos republicanos neste distritos apoiaram Trump em seus sites ou redes sociais de campanha. Nos 10 distritos com rendas médias mais baixas, oito dos candidatos republicanos o endossaram.

A análise da Reuters oferece uma medida de quantos postulantes republicanos em disputas acirradas estão tentando manter distância do presidente. Reportagens ocasionais mostraram alguns fazendo-o, mas até agora não existe um quadro claro da frequência com que isso está acontecendo.

A Reuters analisou dezenas de sites de campanha e milhares de publicações em redes sociais de candidatos em disputas acirradas. A análise mostra como os republicanos nesta situação estão lidando com as pressões conflitantes: uma base republicana que boicota candidatos que criticam Trump, e moderados e independentes que querem que os parlamentares o enfrentem.

Entre os republicanos que tentam se reeleger evitando falar em Trump, a maioria apoiou a maior parte de suas prioridades legislativas, mas não está divulgando esse apoio.

“Donald Trump domina tudo”, disse o pesquisador republicano Whit Ayres, que está aconselhando vários candidatos ao Congresso em distritos suburbanos abastados. Ayres os aconselhou a evitar apoiar Trump – e também a evitar criticá-lo. Mantenham o presidente fora da conversa, disse ele, e “enfatizem como o candidato republicano é uma ótima opção para os valores e interesses daquele distrito em particular”.

Trump vem apoiando as campanhas de uma dúzia de candidatos à Câmara desde o início de agosto, inclusive vários em distritos disputados com rendas mais modestas. Ele planeja eventos adicionais para estes candidatos nas próximas semanas.

Em um memorando de 1o de outubro, o diretor político da Casa Branca, Bill Stepien, alertou que os candidatos republicanos que não apoiarem o presidente não capitalizarão a empolgação que ele gera entre as pessoas que aprovam o rumo do país.

Notando que os republicanos estão “carecendo de entusiasmo” pelos candidatos do partido ao Congresso, Stepien louvou a capacidade de Trump para “atrair eleitores novos e improváveis”.

Para vencerem, acrescentou, os candidatos precisam “se alinhar estreita, clara e ousadamente” ao presidente e às suas políticas.

O memorando, ao qual a Reuters teve acesso, foi divulgado na terça-feira pelo New York Times. A Casa Branca não quis comentar.

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