November 1, 2018 / 1:19 PM / a month ago

Grupos civis dos EUA relatam preocupação com obstáculos ao voto e lutam para reagir

DODGE CITY, Estados Unidos (Reuters) - Clemente Torres votou com orgulho na única zona eleitoral da cidade norte-americana de Dodge City, no Estado do Kansas, em todas as eleições desde que se naturalizou 20 anos atrás. Este ano será diferente.

Cartaz em espanhol em local de votação antecipada em Dodge City, no Kansas 26/10/2018 REUTERS/John Whitesides

Depois que autoridades republicanas anunciaram, em setembro, que transfeririam a única zona eleitoral da cidade de maioria hispânica para um local remoto fora dos limites do município, do outro lado de trilhos de trem e distante das linhas de ônibus, Clemente decidiu votar pelo correio.

“Queria garantir meu voto”, disse Clemente, de 57 anos, que trabalha em uma fábrica de embalagem de carnes na localidade do oeste do Kansas conhecida por ter sido um posto avançado nos tempos do Velho Oeste. “Não quis correr nenhum risco”.

Clemente e outros eleitores entrevistados pela Reuters disseram temer que a votação fique mais difícil no novo local, e alguns duvidaram da explicação oficial: uma construção dificultará o acesso ao antigo local.

A medida causou revolta em grupos de defesa do direito ao voto, que dizem que os republicanos estão tentando limitar o voto hispânico. A filial estadual da União Americana pelas Liberdades Civis pediu aos tribunais que obriguem Dodge City a abrir outra zona eleitoral.

Os democratas estão se mobilizando para alugar vans, angariar voluntários que levem as pessoas às urnas e criar uma linha telefônica para pedir caronas.

O Kansas é só uma das frentes de uma batalha nacional ampla contra restrições ao voto aprovadas por republicanos, que dizem que elas são necessárias para se combater fraudes eleitorais.

Democratas e grupos de ativistas estão se empenhando nas cortes e nas ruas para resistir aos esforços que, segundo eles, prejudicarão eleitores de minorias inclinados a apoiá-los nas eleições da próxima terça-feira, na qual o controle do Congresso estará em jogo.

O debate nacional sobre o direito ao voto, que se intensificou depois que a Suprema Corte revogou partes da Lei de Direito ao Voto de 2013, tem sido particularmente intenso neste ano em Estados com disputas acirradas e de grande importância, como Kansas, Geórgia, Dakota do Norte e Tennessee.

“Há muitas coisas feias acontecendo, mas as pessoas estão atentas e altamente engajadas para reagir contra isso”, disse Leah Aden, vice-diretora de litígios do Fundo Educativo e de Defesa Legal da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor.

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