November 3, 2018 / 5:45 PM / a month ago

Milícia xiita afegã enfrenta o Talibã, reforçando temores de violência sectária

KANDAHAR, Afeganistão (Reuters) - Uma semana de enfrentamentos entre militantes do Talibã e soldados leais a um comandante da minoria primordialmente xiita Hazara reforçou os medos de uma nova fase de violência sectária no Afeganistão. 

Os conflitos na província central de Uruzgan, que deixaram pelo menos 21 pessoas mortas, sublinharam as preocupações de que os Hazaras, membros da minoria primordialmente xiita e que fala persa, alvo de ataques do Estado Islâmico nos últimos anos, possam pegar em armas por frustrações com a falta de ação do governo. 

Apesar de o Talibã, composto principalmente por muçulmanos sunitas de etnia Pashtun, não ter tido como alvo explicitamente os Hazaras no passado, autoridades temem que a violência possa se tornar uma batalha étnica.

“A batalha é muito intensa e agora está se tornando um problema de violência étnica entre Hazaras e Pashtuns”, disse Amir Mohammad Barekzai, chefe do conselho da província. “O governo precisa negociar uma trégua entre eles ou haverá um massacre”.

A violência sectária tem sido relativamente incomum nos últimos anos no Afeganistão, o ódio tem sido alimentado por ataques de homens-bomba em mesquitas xiitas e centros culturais do Estado Islâmico, assim como ataques contra Hazaras viajando em estradas provincianas. Muitos Hazaras culpam Pashtuns sunitas pelos ataques.

Oficiais de segurança do Ocidente e do Afeganistão, temendo o tipo de violência sectária que devastou o Iraque, estão bastante preocupados com a possibilidade de Hazaras que lutaram em milícias apoiadas pelo Irã na Síria possam atingir alvos sunitas.

IMPOSTO ALIMENTOU VIOLÊNCIA

A violência recente começou quando soldados do Talibã atacarem um grupo remoto de vilas Hazaras na província de Uruzgan depois que eles se recusaram a pagar impostos aos rebeldes, disseram oficiais da província. 

O comandante Hazara, Abdul Hakim Shujaee, antigo líder da polícia local afegã financiada pelos Estados Unidos, é acusado de sérias violações de direitos humanos e enfrenta um pedido de prisão do governo central, que tem sofrido para impor sua autoridade em partes remotas do país. 

Ele comanda centenas de soldados Hazaras e continua livre por causa de suas conexões com figuras políticas poderosas em Kabul, disseram oficiais locais. 

Uruzgan, espremido entre bastiões do Talibã em Kandahar e Helmand e a província Daikondi, controlada pelos Hazaras, é visto como o lar de famílias Pashtuns e Hazaras, e os dois grupos têm uma antiga dificuldade para co-existir. 

Asadullah Sayed, governador de Uruzgan, disse que as batalhas entre os dois grupos armados em três vilas do distrito de Khas Uruzgan começaram na semana passada e forças governamentais foram deslocadas para encerrar o conflito. 

Ele estimou o número de mortos em 21 pessoas, mas uma fonte de segurança do governo disse que 43 pessoas foram mortas nos dois lados até agora, com muitas outras feridas. Além disso, aproximadamente 300 famílias fugiram do local. 

O Talibã normalmente coleta impostos de residentes locais em áreas sob seu controle para financiar a sua insurgência, mas famílias Hazaras desafiaram-no, iniciando uma ferrenha batalha armada, disse ele. 

O caso ecoa um enfrentamento no mês passado, na província central de Ghor, envolvendo um comandante Hazara chamado Alipur, conhecido como “Comandante Espada”, visto por seus apoiadores como uma espécie de Robin Hood, mas denunciado pelo governo como um criminoso. 

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