November 22, 2018 / 9:22 PM / 20 days ago

Divididos pela guerra, usuários do Instagram em Israel e Gaza contam suas próprias histórias

FRONTEIRA ISRAEL-GAZA (Reuters) - Em outra parte do mundo eles talvez frequentassem as mesmas escolas ou dividissem a mesma rede wi-fi nos mesmos cafés. 

Adolescentes israelenses que administram contas no Instagram em Kibbutz Kerem Shalom, que faz fronteira com Faixa de Gaza 11/11/2018 REUTERS/Amir Cohen

Embora essas jovens usuárias do Instagram vivam apenas a alguns quilômetros de distância, elas provavelmente nunca se encontrarão. Um grupo é composto por palestinas de Gaza, e o outro é feito de garotas israelenses que vivem na mesma região, apenas separadas pelas fortificações de concreto e arame farpado na fronteira de Israel. 

Mas uma coisa que elas compartilham é o desejo de ter o controle de suas próprias histórias. Ambos os grupos estão certos de que suas vidas não são bem compreendidas, ou são mal interpretadas pelo mundo exterior. 

Os mísseis não sobrevoam mais a região - no presente momento - e os olhos do mundo não estão mais focados ali após uma semana que presenciou a pior troca de disparos de foguetes e ataques aéreos desde a guerra de 2014 entre Israel e o Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza.

Mas o povo das comunidades de fronteira em Gaza e Israel continua ali, esperando a próxima crise, que está sempre prestes a acontecer. 

“Gaza está fechada, poucos têm acesso aqui. Com o Instagram, você pode mostrar Gaza ao mundo através dos seus próprios olhos”, disse Manar Alzraiy, gerente do projeto “We Are Not Numbers” (“Não Somos Números”), um programa baseado em Gaza para jovens escritores, artistas e fotógrafos. 

Seu grupo produz conteúdo sobre o conflito e a destruição na Faixa de Gaza, mas também busca ampliar a narrativa, sempre focada na guerra, sobre Gaza ao compartilhar as histórias de pessoas comuns. 

“Durante ataques dos israelenses, queremos mandar nossa mensagem para fora daqui. Mas temos que ter em mente o que o nosso grupo está passando - estresse, ansiedade. Não é sempre que podemos fazê-lo”, disse. 

No lado israelense, a conta Otef Gaza, que significa “periferia de Gaza” em hebraico, foi iniciada por um grupo de meninas adolescentes da região de Kerem Shalom, um kibbutz próximo à fronteira. 

O grupo destaca fotografias de áreas rurais repletas de dispositivos incendiários disparados em Israel durante protestos dos palestinos nas fronteiras, e morteiros disparados por militantes em Gaza que fazem os israelenses correrem para seus abrigos. 

“As pessoas não sabem que essa é nossa realidade, e elas simplesmente nos ignoram”, disse Lee Cohen, de 17 anos, uma das administradoras da página. 

“Você não consegue dormir por conta das sirenes de emergência, explosões, helicópteros sobrevoando, e o medo dos terroristas de Gaza chegarem por um túnel tentando matar pessoas.” 

Dentro da Faixa de Gaza, 225 palestinos foram mortos por artilharia israelense desde que os protestos na fronteira começaram no dia 30 de março, de acordo com autoridades palestinas de Saúde. 

Israel diz que muitos dos mortos eram militantes, e que suas tropas estão defendendo a fronteira. Um soldado israelense foi morto durante os protestos, atingido por tiros do Hamas. 

Na cidade de Gaza, Alzraiy, de 27 anos, disse que o objetivo do “We Are Not Numbers” é “falar dos problemas humanos” de Gaza.

“Você se acostuma com a sensação de que a qualquer momento, algo pode acontecer”, disse ela. “É apenas por um segundo que você pode perder seu valor como ser humano”.

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