March 7, 2019 / 1:46 PM / 9 months ago

Luta contra ebola no Congo está fracassando em meio a resposta militar, diz MSF

GENEBRA (Reuters) - A batalha contra o ebola na República Democrática do Congo está fracassando porque os cidadãos não confiam em profissionais de saúde, e uma resposta excessivamente militarizada está afastando pacientes e famílias, disseram os Médicos Sem Fronteiras nesta quinta-feira.

Estruturas queimads após ataque a centro para tratamento de ebola do MSF em Katwa, na República Democrática do Congo Laurie Bonnaud/MSF/Divulgação via REUTERS

Na semana passada, os Médicos sem Fronteiras suspenderam as atividades médicas no ponto focal da epidemia, depois que duas de suas instalações foram incendiadas por agressores não identificados.

A presidente internacional da organização, Joanne Liu, disse que o surto, que matou 569 pessoas, não será contido a menos que a comunidade confie nas autoridades e seja tratada com humanidade.

“A atmosfera existente só pode ser descrita como tóxica”, disse Liu a repórteres em Genebra.

Os socorristas do ebola foram cada vez mais vistos como inimigos, com mais de 30 ataques e incidentes contra a reação ao ebola somente no mês passado, disse.

A epidemia está em uma região do Congo que é vinculada a grupos armados e violência, onde os funcionários estão propensos a ver ameaças através de uma lente de segurança e a usar a força.

“Há muita militarização em resposta ao ebola”, afirmou ela. “Usar a polícia para forçar as pessoas a cumprir as medidas de saúde não é apenas antiético, é totalmente contraproducente. As comunidades não são o inimigo”.

O envolvimento de forças policiais e de segurança apenas aprofundou as suspeitas de que o ebola estava sendo usado como ferramenta política, disse.

Ainda havia sinais de que o surto —o segundo pior de todos— não estava sendo controlado.

Quarenta por cento das mortes ocorreram fora dos centros médicos, o que significa que os pacientes não haviam procurado atendimento, e 35 por cento dos novos pacientes não estavam ligados a casos existentes, o que indica que a disseminação da doença não estava sendo monitorada.

“O ebola ainda tem a vantagem”, disse Liu.

Os camponeses avistaram frotas de carros correndo para pegar uma única pessoa doente e uma grande quantidade de dinheiro entrando. Alguns foram instruídos a lavar as mãos, mas não tinham sabão para fazê-lo.

“Eles vêem seus parentes sendo pulverizados com cloro e envoltos em sacos de plástico, enterrados sem cerimônia. Então eles vêem seus pertences queimados”, afirmou.

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