March 22, 2019 / 1:41 PM / 5 months ago

"Somos um só", diz premiê da Nova Zelândia em dia de orações e silêncio

CHRISTCHURCH (Reuters) - A convocação dos muçulmanos para orações ecoou por toda a cidade de Christchurch e pela Nova Zelândia nesta sexta-feira, quando milhares se reuniram para lembrar as 50 pessoas mortas por um atirador em duas mesquitas do país uma semana atrás.

Premiê da Nova Zelândia, Jacinda Jacinda Ardern, durante orações muçulmanas de sexta-feira em Christchurch 22/03/2019 REUTERS/Jorge Silva

A primeira-ministra, Jacinda Ardern, se uniu a cerca de 20 mil pessoas reunidas sem alarde no Parque Hagley, que fica diante da mesquita Al Noor, onde a maioria das vítimas foi morta durante as orações de sexta-feira na semana passada.

“A Nova Zelândia chora com vocês. “Somos um só”, disse ela, em um discurso curto seguido por dois minutos de silêncio.

Jacinda, que denunciou o ataque a tiros como um ato de terrorismo, anunciou uma proibição de todos os fuzis de assalto armas semiautomáticas na Nova Zelândia.

O país está em estado de alerta elevado desde o ataque, e nesta sexta-feira a polícia disse que está investigando uma ameaça feita a Jacinda no Twitter.

O New Zealand Herald noticiou que uma postagem de Twitter com uma foto de uma arma e a legenda “Você é a próxima” foi enviada à premiê. A Reuters não conseguiu verificar a informação de maneira independente. A reportagem disse que a conta foi suspensa.

O australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, suposto supremacista branco autor do ataque, recebeu uma acusação de assassinato após o ataque em Christchurch e foi mantido sob custódia sem se pronunciar.

Ele deve voltar ao tribunal em 5 de abril, quando deve receber outras acusações, segundo a polícia.

A maioria das vítimas do pior ataque a tiros da história da Nova Zelândia era de imigrantes ou refugiados de países como Paquistão, Índia, Malásia, Indonésia, Turquia, Somália, Afeganistão e Bangladesh.

“Estamos com o coração partido, mas não acabados. Estamos vivos, estamos juntos, estamos determinados a não deixar ninguém nos dividir”, disse o imã Gamal Fouda às pessoas reunidas na mesquita Al Noor, muitas usando lenços de cabeça em apoio à comunidade muçulmana enlutada.

“Às famílias das vítimas: seus entes queridos não morreram em vão. Seu sangue regou as sementes da esperança”, disse ele nas orações transmitidas nacionalmente.

Dezenas de milhares de pessoas prestaram suas homenagens em todo o país, algumas formando cordões humanos diante de mesquitas. Outras rezaram em silêncio em escolas, cafés e até escritórios.

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