April 12, 2019 / 11:23 AM / in 7 months

Confrontos abalam Trípoli e milhares de pessoas abandonam moradias

TRÍPOLI (Reuters) - Disparos e explosões ecoaram na capital da Líbia, nesta sexta-feira, à medida que forças do leste combatiam tropas do governo internacionalmente reconhecido nos subúrbios do sul de Trípoli, forçando milhares de civis a abandonarem suas casas.

Tropas do leste da Líbia em Ai Zara, no sul de Trípoli 11/04/2019 REUTERS/Stringer

O Exército Nacional da Líbia (ENL), de Khalifa Haftar, avançaram sobre a cidade costeira há uma semana, no mais recente conflito de um ciclo de anarquia desde a derrubada do ditador Maummar Gaddafi em 2011.

Mas grupos armados leais ao primeiro-ministro reconhecido internacionalmente, Fayez al-Serraj, mantiveram o ENL afastado, com violentos combates ao redor de antigo aeroporto abandonado a cerca de 11 quilômetros do centro.

Batalhas ao longo de uma semana deixaram 75 pessoas mortas —a maioria composta por combatentes, mas também 17 civis— e feriram outras 323, de acordo com os últimos dados da ONU. Cerca de 9.500 pessoas também foram forçadas a sair de casa.

Enquanto o som dos conflitos ecoava pela cidade, residentes tentavam manter certa normalidade nesta sexta-feira.

Algumas famílias estavam tomando café da manhã próximo ao mercado de peixe, onde pessoas faziam estoques de comida para a semana.

“Nós nos acostumamos a guerras. Temo apenas a Deus”, disse Yamin Ahmed, de 20 anos, que trabalha em uma rede de fast-food.

Além do custo humanitário, o conflito ameaça interromper o fornecimento de petróleo, aumentar o fluxo migratório pelo Mediterrâneo para a Europa, modificar um plano de paz da ONU e permitir que militantes islâmicos explorem o caos.

Haftar, de 75 anos, um ex-general do Exército de Gaddafi que posteriormente se juntou à rebelião contra o líder, moveu suas tropas do leste para tomar o deserto, rico em petróleo, no início deste ano, antes de chegar a Trípoli no começo de abril.

Entretanto, o governo de Serraj conseguiu conter o avanço, auxiliado por grupos armados com metralhadoras em caminhonetes e contêineres de aço do outro lado da estrada para Trípoli.

A ONU, que esperava organizar uma conferência nacional neste mês reunindo as administrações rivais do leste e oeste para organizar uma eleição, pediu um cessar-fogo. Os Estados Unidos, o bloco G7 e a União Europeia também pediram ao LNA que suspenda sua ofensiva.

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