April 27, 2019 / 7:43 PM / 7 months ago

Preparem-se para o poder, dizem líderes de partidos da Espanha aos eleitores no fim da campanha

MADRI (Reuters) - Os líderes de todos os principais partidos políticos da Espanha convidaram seus partidários na noite de sexta-feira para se prepararem para o poder, conforme a campanha para a eleição mais disputada das últimas décadas chegava ao fim.

Nenhum partido conseguirá a maioria do Parlamento nas eleições de domingo, e as pesquisas de opinião sugerem que todos os cinco principais candidatos têm uma chance real de desempenhar um papel no governo.

Divisiva e muitas vezes mal-humorada, a campanha foi travada principalmente em temas emocionais —notadamente questões de identidade nacional ligadas ao desejo de independência da Catalunha— com a economia ocupando um raro assento de trás.

Com o fim da campanha à meia-noite de sexta-feira, os líderes partidários permaneceram na maior parte não comprometidos com possíveis alianças após a votação, embora o cenário político da Espanha tenha efetivamente se aglutinado em dois blocos eleitorais distintos, um à esquerda e outro à direita.

O primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, que sinalizou aberturas para a extrema-esquerda durante um debate televisionado na terça-feira, citou o presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente brasileiro, de extrema-direita, Jair Bolsonaro, ao advertir os partidários para a possibilidade de uma aliança de direita assumir o poder.

Um governo de direita poderia ser formado por três partidos e incluiria o radical recém-chegado Vox, parte de um movimento de extrema-direita mais amplo que já entrou no governo em alguns países europeus, especialmente na Itália.

“Ninguém deu a Trump qualquer chance de se tornar presidente e ele é. Ninguém pensou que Bolsonaro se tornaria presidente do Brasil, e ele é”, disse Sánchez a uma multidão de cerca de 3.000 pessoas no subúrbio madrileno de Vallecas.

Sob o cenário mais otimista para os socialistas, Sánchez poderia continuar como líder da quarta maior economia da zona do euro, com o Podemos como um aliado.

Mas a maioria das pesquisas tem mostrado que é provável que precisem de apoio de partidos nacionalistas menores, principalmente da Catalunha, que buscaria concessões que Sánchez —rotulado de traidor pela direita por estar aberto ao diálogo com secessionistas— pode achar difícil de aceitar.

O líder socialista recusou-se constantemente a discutir a questão da independência catalã.

As pesquisas de opinião oficiais terminaram na segunda-feira, com até quatro em dez eleitores ainda indecisos.

Desde então, as sondagens informais da mídia sugerem que as intenções dos eleitores podem ter mudado, com o Vox como possível beneficiário.

Isso elevou a perspectiva da coalizão de direita, que também incluiria o Ciudadanos, de centro-direita, ganhar votos suficientes para formar a maioria —apesar de muitos verem um Parlamento em impasse e novas eleições como o mais provável.

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