April 28, 2019 / 3:55 PM / 5 months ago

Acordo de paz afegão depende do cessar-fogo dos talibãs, diz enviado de paz dos EUA

CABUL (Reuters) - Qualquer acordo de paz com o Talibã afegão dependerá da declaração de um cessar-fogo permanente e do compromisso de acabar com a longa guerra do país, disse neste domingo o enviado especial dos EUA para a paz no Afeganistão, Zalmay Khalilzad.

Em uma entrevista à maior emissora privada de TV do Afeganistão, a Tolo News, Khalilzad disse que as exigências do Talibã estavam focadas na retirada das forças dos EUA do país.

“Nosso foco é no terrorismo. Nenhum acordo será feito se não houver um cessar-fogo permanente e um compromisso de acabar com a guerra”, disse Khalilzad. “Estamos buscando paz e (a) solução política ... Queremos que a paz nos dê a possibilidade de nos retirarmos”.

O diplomata norte-americano nascido no Afeganistão chegou a Cabul no sábado para se encontrar com o presidente Ashraf Ghani, parte de uma turnê de vários países antes de seu próximo encontro com o Talibã no Catar.

Os Estados Unidos têm cerca de 14 mil soldados no Afeganistão como parte de uma missão liderada pela Otan, conhecida como Suporte Resoluto, que treina e ajuda as forças de segurança do governo afegão em sua batalha contra combatentes do Talibã e grupos extremistas como Estado Islâmico e Al-Qaeda. .

O presidente dos EUA, Donald Trump, quer chegar a um acordo para acabar com a mais longa guerra de seu país, que desalojou o Talibã do poder no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

Intensos combates ainda acontecem em todo o país, e enquanto os talibãs estão negociando, eles agora controlam e influenciam mais território do que em qualquer ponto desde 2001.

Um plano para reduzir o número de funcionários da embaixada dos EUA em Cabul em até metade a partir do final do próximo mês alarmou alguns que temem que tal medida possa minar o frágil processo de paz.

Antes de Khalilzad embarcar em sua turnê, o Departamento de Estado disse que vai “avançar nas negociações com os talibãs para chegar a um consenso sobre as principais questões de segurança nacional, e pedir sua participação em um diálogo inclusivo afegão”.

Depois de várias rodadas de negociações, Khalilzad relatou algum progresso em direção a um acordo sobre a retirada de tropas dos EUA e sobre como o Talibã impediria que extremistas usassem o Afeganistão para lançar ataques como a Al Qaeda em 2001.

Mas o Talibã ainda se recusa a negociar com o governo de Ghani, que eles chamam de um regime fantoche controlado pelos EUA.

Khalilzad disse a Tolo que tentou nas últimas semanas promover esse diálogo, acrescentando que houve algum progresso, “mas não tanto quanto eu queria”.

As esperanças de um avanço foram frustradas no início deste mês, quando as conversas planejadas na capital do Catar, Doha, entre o Talibã e 250 representantes afegãos, entraram em colapso.

Esperando renovar a pressão por conversas diretas com o Talibã, Ghani convocou uma grande assembleia consultiva na segunda-feira.

A Loya Jirga, uma tradicional reunião de anciãos, estudiosos religiosos e afegãos proeminentes, verá mais de 3 mil pessoas reunidas em meio a uma forte segurança para quatro dias de discussão sob uma grande tenda em Cabul.

Reportagem de Hameed Farzad e Orooj Hakimi

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