May 11, 2019 / 7:37 PM / 4 months ago

Ativistas LGBT de Cuba planejam parada alternativa em desafio ao governo

HAVANA (Reuters) - Ativistas LGBT cubanos estão planejando organizar uma marcha independente contra a homofobia, no sábado, apesar de vários relatos de que receberam alertas para não comparecer, com o governo comunista dizendo que seria uma tentativa de subversão.

Se conseguirem organizá-la ou não, seria um sinal da habilidade crescente dos cubanos de se mobilizar - ou não - por certas causas mesmo diante da resistência do estado de partido único que, por décadas, controlou rigidamente os espaços públicos.

O Centro Nacional de Educação Sexual (CENESEX), controlado pelo estado e chefiado por Mariela Castro, filha do líder do Partido Comunista, Raúl Castro, cancelou abruptamente no começo desta semana a 12º conga anual, o equivalente à Parada do Orgulho Gay.

A CENESEX disse em um comunicado que certos grupos planejavam usar o evento para prejudicar o governo, encorajados pela agressão crescente da administração Trump contra Cuba e sua aliada esquerdista Venezuela.

Os Estados Unidos têm financiado há décadas ações disfarçadas para promover a democracia na ilha e enfraquecer o governo comunista.

Ativistas que dizem que a conga é um espaço raro e importante na defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) — eles organizaram um evento alternativo e espalharam a informação pelas redes sociais.

A CENESEX denunciou essa medida como uma “provocação”, e vários ativistas afirmaram que receberam ameaças anônimas nas redes sociais ou de pessoas da segurança estatal para não comparecerem.

A expansão da internet em Cuba no último ano aumentou o número de cubanos mobilizando-se online em relação a algumas questões, às vezes conseguindo, aparentemente, influenciar a política.

O governo, por exemplo, adiou a implementação total de um decreto reprimindo as artes, depois de uma campanha online protestando contra a lei, e recuou em regulamentações ao setor privado, depois que empreendedores e especialistas reclamaram.

Por enquanto, no entanto, o governo manteve controle rígido a espaços públicos físicos, geralmente limitando manifestações a expressões de apoio ao governo, como a recente parada do Dia do Trabalho.

A conga em Havana foi uma exceção que se tornou um evento regular, e um lembrete de que o governo, que já enviou gays a campos de trabalho nos primeiros dias da revolução de Fidel Castro, em 1959, havia feito avanços consideráveis em direitos LGBT nos últimos anos.

O país garante direitos como operações grátis de mudança de sexo e proíbe a discriminação com base na sexualidade, em uma região em que a maioria dos países tem leis anti-sodomia.

Alguns ativistas sentem que o cancelamento da conga foi um sinal de que esses direitos estão sendo corroídos, possivelmente por causa de uma recente consulta ao público sobre a nova constituição que revelou que há mais oposição à comunidade do que se imaginava anteriormente.

Muitos cubanos expressaram sua oposição a uma mudança na constituição que explicitamente abriria as portas para o casamento gay.

Igrejas evangélicas, que se tornaram cada vez mais sonoras e com mais seguidores, também realizaram campanhas sem precedentes contra as mudanças, que acabou sendo diluída.

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