June 30, 2019 / 5:38 PM / in 5 months

Dezenas de milhares protestam exigindo um governo civil no Sudão

CARTUM (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Cartum neste domingo exigindo que os militares entreguem o comando do país para os civis, nas maiores manifestações desde uma violenta operação de segurança em um acampamento de manifestantes há três semanas.

Manifestantes portavam a bandeira sudanesa e gritavam “civil, civil” e “sangue por sangue” em várias partes da capital enquanto eram observados por forças de Segurança. Grupos de oposição postaram vídeos do que diziam ser comícios em outras cidades.

Os líderes militares do Sudão depuseram o presidente Omar al-Bashir no dia 11 de abril, após meses de manifestações contra seu governo.

Grupos de oposição mantiveram seus protestos de rua para pressionar que os militares cedessem o poder aos civis.

Negociações foram interrompidas e protestos foram paralisados após Serviços de Segurança conduzirem uma operação contra um protesto do lado de fora do ministério da Defesa no dia 3 de junho. Mas manifestações menores aconteceram nos últimos dias e a coalizão de oposição Forças da Liberdade e Mudança (FFC, na sigla em inglês) convocou o comparecimento de um milhão de pessoas para as manifestações de domingo.

O conselho militar que governa o país não comentou imediatamente as manifestações. Anteriormente, o conselho havia dito que a coalizão seria responsável pelos prejuízos e pela perda de vidas que acontecesse como consequência das manifestações.

Membros dos principais grupos de oposição do país - a Associação de Profissionais Sudaneses - disseram que os serviços de segurança invadiram sua sede na noite de sábado enquanto eles se preparavam para conduzir uma coletiva de imprensa.

A Organização das Nações Unidas disse que recebeu informações de que mais de 100 manifestantes foram mortos e muitos outros ficaram feridos no protesto no Ministério da Defesa no dia 3 de junho.

Líderes militares negaram ter ordenado a operação no acampamento dos manifestantes e disseram que uma repressão a criminosos na região havia atingido o protesto. O conselho disse que alguns oficiais haviam sido detidos por presunção de participação no incidente e afirmou que fará a cessão do comando do país após a a realização de eleições.

Mediadores liderados pela União Africana e pelo primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, tentam negociar a retomada de conversas diretas sobre a situação do país.

Reportagem de Khalid Abdelaziz em Khartoum e Omar Fahmy no Cairo

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