July 4, 2019 / 6:34 PM / 5 months ago

Espanha rebate crítica de enviado do Vaticano a plano de exumação de Franco

Vistal do Vale dos Caídos em San Lorenzo de El Escorial 20/11/2018 REUTERS/Sergio Perez

MADRI (Reuters) - A Espanha se queixou formalmente ao Vaticano nesta quinta-feira depois que o embaixador da Sante Sé criticou as tentativas do governo socialista espanhol de exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco e disse que a exumação apena atiçou divisões e “ressuscitou Franco”.

O enviado da Espanha ao Vaticano entregou uma carta da vice-primeira-ministra interina, Carmen Calvo, ao secretário de Relações com Estados da Santa Sé, Richard Gallagher.

“É um ato formal que ocorreu hoje, a carta da vice-primeira-ministra foi entregue juntamente com um comunicado verbal. Esperamos que o Vaticano responda”, disse o ministro das Relações Exteriores interino espanhol, Josep Borrell, a repórteres.

No domingo passado, dois dias antes de deixar o cargo, o embaixador do Vaticano, Renzo Fratini, de 75 anos, disse à agência de notícias Europa Press que via “uma ideologia de alguns que querem dividir a Espanha novamente” por trás da decisão de retirar os restos de Franco de um mausoléu estatal.

“Sinceramente, há muitos problemas neste mundo e na Espanha. Por que ressuscitá-lo? Estou dizendo que eles ressuscitaram Franco. Deixá-lo em paz seria melhor... Deus o julgará. Lembrar algo que provocou uma guerra civil não ajuda a viver melhor”, disse Fratini.

Carmen classificou os comentários como uma “interferência em uma forma e com um conteúdo que são inadequados a qualquer representante diplomático”.

O plano de retirada dos restos de Franco do Vale dos Caídos, decidida em março pelo governo socialista, dividiu as opiniões em um país ainda em conflito a respeito da ditadura que terminou com a morte de Franco em 1975.

Há tempos os socialistas tentam transformar o Vale dos Caídos, situado nos arredores de Madri e visto por muitos como um monumento ao fascismo, em um memorial para as vítimas da guerra civil de 1936-39, na qual cerca de 500 mil combatentes e civis morreram.

Por Belen Carreno e Andrei Khalip

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