July 4, 2019 / 7:19 PM / 2 months ago

Esquadrões da morte da Venezuela matam jovens e forjam circunstâncias, diz ONU

A chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, durante coletiva de imprensa após se reunir com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, na Venezuela 21/06/2019 REUTERS/Fausto Torrealba

GENEBRA (Reuters) - Forças de segurança da Venezuela estão enviando esquadrões da morte para assassinar homens jovens e forjar as cenas para parecer que as vítimas resistiram à prisão, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) em um relatório emitido por sua chefe de direitos humanos nesta quinta-feira.

Números do governo mostraram que as mortes atribuídas a criminosos que resistiram à prisão alcançaram 5.287 no ano passado e 1.569 até 19 de maio deste ano. O relatório da ONU disse que muitas delas parecem ter sido execuções extrajudiciais.

    As famílias de 20 homens descreveram como mascarados das Forças de Ação Especial da Venezuela (FAES) vestidos de preto chegaram em picapes pretas sem placas. Segundo os relatos, os esquadrões da morte invadiram as casas, levaram pertences e agrediram mulheres e meninas, às vezes arrancando suas roupas.

    “Eles separavam homens jovens de outros familiares antes de baleá-los”, disse o relatório.

    “Em todos os casos, testemunhas relataram com o FAES manipulou a cena do crime e as provas. Eles plantavam armas e drogas e disparavam contra as paredes ou para o alto para insinuar um confronto e para mostrar que a vítima ‘resistiu à autoridade’”.

    A chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, visitou a Venezuela no mês passado e apresentará o relatório ao Conselho de Direitos Humanos da entidade na sexta-feira.

    O relatório disse que os assassinatos são parte de uma estratégia do governo do presidente Nicolás Maduro que visa “neutralizar, reprimir e criminalizar oponentes políticos e pessoas críticas do governo” que se acelerou desde 2016.

    A ONU também divulgou uma resposta por escrito do governo venezuelano às suas conclusões, que classificou o relatório como uma “visão seletiva e abertamente parcial” sobre a situação dos direitos humanos no país sul-americano e argumentou que a ONU contou com “fontes que carecem de objetividade” e que ignorou informações oficiais.

    (Por Tom Miles, em Genebra, e Luc Cohen, em Caracas)

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