July 27, 2019 / 6:57 PM / 4 months ago

Sudão diz que 87 foram mortos em protesto, críticos dizem que número é maior

CARTUM (Reuters) - O diretor de uma investigação oficial do governo do Sudão disse neste sábado que 87 pessoas foram mortas quando forças de segurança agiram para acabar com um protesto no dia 3 de junho, um número que a oposição aos governantes militares do Sudão classifica como muito abaixo do real. 

Fath al-Rahman Saeed, diretor do comitê investigativo apontado pelo procurador público, disse que membros das forças de segurança dispararam usando munição real contra manifestantes em Cartum que exigiam que os militares entregassem o poder. 

Refletindo a revolta diante dos resultados da investigação, dezenas de manifestantes cantaram slogans contra o comitê no distrito de Burri em Cartum, queimando pneus nas ruas, segundo disseram testemunhas. 

Saeed disse em uma entrevista coletiva que três autoridades violaram ordens ao movimentarem suas forças para a área onde ocorria um protesto na porta do Ministério da Defesa, um ponto importante durante a manifestação que levou à queda do ex-presidente Omar al-Bashir no dia 11 de abril. 

Saeed disse que 17 das 87 pessoas mortas estavam na praça ocupada pelos manifestantes no pior episódio de violência desde a queda de Bashir. Ele disse que 168 pessoas ficaram feridas, 48 delas por balas. 

“Alguns bandidos exploraram essa reunião e formaram uma outra reunião no que é conhecido como área de Columbia, onde práticas negativas e ilegais aconteciam”, disse Saeed, acrescentando que uma das três autoridades envolvidas ordenou suas forças a chicotearem manifestantes. 

“Aquilo se tornou uma ameaça de segurança, forçando as autoridades a fazer os arranjos necessários para liberar a área”, disse Saeed. 

O resultado da investigação estabelece um número de mortos maior do que a estimativa do Ministério da Saúde, que era de 61. Mas médicos de oposição disseram que 127 pessoas foram mortas e 400 feridas. 

“As descobertas desse comitê representam um choque para as comunidades de rua do Sudão, e para as comunidades regionais e internacionais”, disse Ismail al-Taj, um líder da Associação de Profissionais Sudaneses, que integra a coalizão de oposição. 

“A realidade diz que há quase 130 mártires”, disse Taj, acrescentando que o comitê se apoiava em registros do Ministério da Saúde, que afirmou serem imprecisos. 

Taj também disse que a avaliação do comitê não afetará o processo político.

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