July 30, 2019 / 1:14 PM / 4 months ago

Nativos maoris da Nova Zelândia protestam devido a "crianças roubadas"

WELLINGTON (Reuters) - Milhares de nativos maori protestaram em toda a Nova Zelândia nesta terça-feira para pedir o fim da prática de tirar crianças consideradas em risco de suas famílias, em meio ao agravamento das tensões entre a comunidade indígena e o governo.

Ministros do governo da Nova Zelândia falam a manifestantes maoris que protestam em frente ao Parlamento, em Wellington 30/07/2019 REUTERS/Praveen Menon

Crianças ameaçadas são colocadas sob os cuidados do Estado há décadas, apesar das críticas de muitos maoris que acreditam que o processo tem um viés racista e é um legado da colonização, uma vez que a maioria das crianças acolhidas pelo Estado é maori.

O site de notícias Newsroom relatou recentemente que autoridades do Ministério da Infância, chamado de Oranga Tamariki, tentaram tirar um recém-nascido da mãe no hospital.

A reportagem causou uma revolta pública e pode causar constrangimento à primeira-ministra Jacinda Ardern, conhecida mundialmente por seu estilo de governo compassivo, mas também acusada por críticos de ignorar problemas internos.

O protesto desta terça-feira coincidiu com outro impasse com milhares de manifestantes maoris em Auckland, a maior cidade do país, resultante dos planos de construção de um projeto habitacional em terras que estes veem como sagrada.

Centenas de manifestantes se reuniram diante do Parlamento nesta terça-feira bradando slogans e portando cartazes que diziam: “Tirem as mãos de nossas tamariki” — a palavra maori para crianças. Protestos também ocorreram em outras cidades grandes.

Os manifestantes classificam as crianças como a “geração roubada” da Nova Zelândia, em uma referência aos indígenas australianos que foram tirados à força de suas famílias na infância devido a uma política oficial de assimilação.

Na semana passada, o Oranga Tamariki disse em um relatório que mais de uma centena de crianças se feriu sob os cuidados do Estado nos três primeiros meses do ano.

As duas disputas representam um desafio para a coalizão de liderança trabalhista da premiê, que precisa manter seu eleitorado maori na eleição do ano que vem.

Os parlamentares maoris são parte da base de apoio dos trabalhistas e desempenharam um papel importante na vitória eleitoral da premiê em 2017, disse Bryce Edwards, comentarista político da Universidade Victoria de Wellington.

“Este tipo de questão é sintoma de parte do descontentamento mais amplo. O governo está em solo instável agora porque não há nenhum indício de que fez qualquer progresso em algumas questões de desigualdade”, disse.

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