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Carnaval belga desafia pedidos para cancelar parada com críticas a religiões

AALST (Reuters) - Um desfile satírico de carnaval belga, denunciado pelo ministro das Relações Exteriores de Israel como “odioso”, aconteceu neste domingo apesar de ter sido retirado da lista de eventos culturais reconhecidos da ONU por acusações de racismo e anti-semitismo.

Depois de um carro alegórico em 2019 apresentar caricaturas de judeus ultraortodoxos em pé com sacos de dinheiro, os organizadores da cidade de Aalst enfrentaram pedidos para cancelar o desfile secular, que foi incluído na lista de patrimônio cultural da UNESCO em 2010.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, disse no Twitter na quinta-feira que “A Bélgica, como uma democracia ocidental, deveria ter vergonha de permitir uma exibição antissemita tão vitriólica”, pedindo às autoridades para banir o que chamou de “desfile odioso”.

Organizadores e participantes disseram que o carnaval de Aalst, que zomba de grupos religiosos, étnicos e sociais, incluindo as famílias reais britânicas e belgas, não é contra os judeus.

“Ninguém é alvo”, disse o estudante de 21 anos Jielke, um dos milhares de foliões que apareceram apesar da tempestade de inverno.

“No ano passado houve muita confusão, mas queremos tirar sarro de todos”, disse ela, diante de um carro alegórico com a efígie de um árabe como encantadora de cobras.

A UNESCO observou a “atmosfera levemente subversiva” do carnaval ao incluí-lo em sua lista de “Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade” em 2010, segundo seu site. Ele foi removido em dezembro de 2019, após um pedido da Bélgica e da cidade de Aalst.

De cerca de 60 carros alegóricos, alguns zombaram da religião, incluindo uma efígie de um judeu ultraortodoxo com caixas de diamantes. Outro foi como uma maquete do Muro das Lamentações, o local judeu de oração e peregrinação, em Jerusalém.

O 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz e o ressurgimento do anti-semitismo em todo o mundo aumentaram as sensibilidades fora da Bélgica para o evento.

“Você pode se divertir com todos, mas há um limite”, disse Philippe Markiewicz, presidente do Consistório Israelita da Bélgica, representante oficial dos judeus no país.

Os organizadores disseram que não havia nenhuma sugestão de tirar sarro do Holocausto. “Minha cidade não é racista nem anti-semita”, disse o prefeito de Aalst, Christophe D’Haese, em entrevista coletiva.

Com nove meses em preparação, a celebração é uma procissão de efígies de gigantes e inclui uma dança de vassoura no mercado central para afugentar os fantasmas do inverno, além de um desfile de jovens vestidos de mulheres com espartilhos e carrinhos de bebê.

Parte da zombaria do carnaval se voltou contra si mesma. Em dois carros alegóricos, efígies de políticos locais seguravam rolos de papel higiênico com as palavras “UNESCO” e “censura” escritas neles.

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