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Relatório da ONU sugere renda básica temporária para ajudar países mais pobres em meio a pandemia

Administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Achim Steiner. REUTERS/Luisa Gonzalez

NOVA YORK (Reuters) - Uma renda básica temporária para os 2,7 bilhões de pessoas mais pobres do mundo em 132 países em desenvolvimento pode ajudar a retardar a propagação do coronavírus, permitindo que a população fique em casa, de acordo com um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgado nesta quinta feira.

O relatório sugere três opções: complementação da renda média existente, transferências de montante fixo vinculadas a diferenças no padrão médio de vida em um país ou transferências uniformes de montante fixo independentemente de onde alguém mora em um país.

“Tempos sem precedentes exigem medidas sociais e econômicas sem precedentes. A introdução de uma renda básica temporária para as pessoas mais pobres do mundo surgiu como uma opção”, disse o administrador do Programa, Achim Steiner. “Os planos de resgate e recuperação não podem se concentrar apenas em grandes mercados e grandes empresas.”

O coronavírus infectou pelo menos 14,8 milhões de pessoas e houve mais de 610 mil mortes registradas em todo o mundo, de acordo com uma contagem da Reuters. As Nações Unidas alertaram que a pandemia e a recessão global associada a ela poderiam desencadear um aumento da pobreza em todo o mundo pela primeira vez desde 1990 e levar 265 milhões de pessoas à beira da fome.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento sugere que uma maneira de os países pagarem por uma renda básica temporária seria redirecionar bilhões de dólares que seriam gastos no pagamento de suas dívidas.

Em abril, o Grupo das 20 principais economias concordou em suspender o pagamento do serviço da dívida dos países mais pobres do mundo até o final do ano. No entanto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que o alívio da dívida fosse oferecido a todos os países em desenvolvimento e de renda média.

A Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do G20 se mostrou desafiadora de implementar, com apenas 42 dos 73 países elegíveis manifestando interesse até o momento, economizando apenas 5,3 bilhões de dólares em pagamentos, em vez dos 12 bilhões inicialmente prometidos.

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