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Rede de farmácias dos EUA instalou sistema de reconhecimento facial ligado à China

Câmera da DeepCam em loja da Rite Aid em Nova York 20/11/2019 REUTERS/Lucas Jackson

(Reuters) - Pouco mais de oito anos atrás, a rede de farmácias norte-americana Rite Aid Corp instalou discretamente um sistema de reconhecimento facial em 200 lojas, em um dos maiores exemplos de utilização de tal tecnologia em varejistas dos Estados Unidos, revelou uma investigação da Reuters.

No centro de Nova York e na região metropolitana de Los Angeles, a Rite Aid instalou o sistema em bairros majoritariamente de baixa renda e de população não branca, de acordo com uma análise da Reuters. Durante mais de um ano, a rede usou a tecnologia de reconhecimento facial de última geração de uma empresa com laços com a China e seu governo autoritário.

Em conversas por telefone e email com a Reuters desde fevereiro, a Rite Aid confirmou a existência e a amplitude de seu programa de reconhecimento facial. A rede varejista defendeu o uso da tecnologia, dizendo que não tem relação com raça e que visa impedir roubos e proteger funcionários e clientes da violência. A Reuters não encontrou indícios de que os dados da Rite Aid foram enviados à China.

Na semana passada, porém, depois que a Reuters comunicou suas descobertas à empresa, a Rite Aid disse que parou de usar o programa de reconhecimento facial, e mais tarde disse que todas as câmeras foram desligadas.

“Esta decisão se baseou em parte em uma conversa mais ampla da indústria”, disse a rede à Reuters em comunicado, acrescentando que “outras grandes empresas de tecnologia parecem estar reduzindo ou repensando seus esforços relativos ao reconhecimento facial, dada a incerteza crescente sobre a utilidade da tecnologia”.

A Reuters desvendou a maneira como a iniciativa da empresa evoluiu, como o software foi usado e como um vendedor recente foi ligado à China com base em milhares de páginas de documentos internos da Rite Aid e de seus fornecedores, além de observações diretas durante visitas de jornalistas às lojas e entrevistas com mais de 40 pessoas familiarizadas com a instalação dos sistemas. A maioria dos funcionários atuais e antigos falou sob condição de anonimato, dizendo que temia colocar a carreira em risco.

Embora a Rite Aid não tenha revelado espontaneamente quais locais usaram a tecnologia, a Reuters encontrou câmeras de reconhecimento facial em 33 das 75 lojas da Rite Aid em Manhattan e na área central metropolitana de Los Angeles durante uma ou mais visitas feitas entre outubro passado e julho.

As câmeras eram facilmente reconhecíveis por estarem presas ao teto em varas perto da entrada das lojas e nas seções de cosméticos. Em algumas lojas, seguranças mostraram à Reuters como elas funcionavam.

As câmeras comparavam imagens faciais de clientes àquelas de pessoas que a Rite Aid já havia observado se envolvendo em atividades potencialmente criminosas, o que fazia um alerta ser enviado aos smartphones dos seguranças. Em seguida, estes reviam a comparação para ter certeza e podiam pedir que o cliente saísse da loja.

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