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Libaneses pedem saída do presidente e outras autoridades por explosão em Beirute

BEIRUTE (Reuters) - Manifestantes tristes e furiosos leram nesta terça-feira em voz alta os nomes das 171 pessoas mortas até agora na explosão da semana passada no porto de Beirute e pediram a saída do presidente do Líbano e de outras autoridades a quem culpam pela tragédia.

Beirute, Líbano 11/8/2020 REUTERS/Hannah McKay

Reunidos perto do “marco zero”, alguns carregavam fotos das vítimas enquanto uma grande tela reproduzia imagens da nuvem que se ergueu sobre a cidade na última terça-feira após a detonação de material altamente explosivo armazenado por anos, que feriu cerca de 6.000 pessoas e deixou centenas de milhares desabrigadas.

“ELE SABIA” foi escrito em uma imagem do presidente Michel Aoun em um pôster no local do protesto. Embaixo, dizia: “Um governo sai, um governo vem; continuaremos até que o presidente e o presidente do Parlamento sejam removidos.”

A Reuters informou que o presidente e o primeiro-ministro foram avisados em julho sobre o nitrato de amônio armazenado, de acordo com documentos e fontes de segurança de alto escalão.

Aoun, que prometeu uma investigação rápida e transparente, tuitou nesta terça-feira: “Minha promessa a todos os libaneses em sofrimento é que não descansarei até que todos os fatos sejam conhecidos.”

Moradores de Beirute ainda tentam se recuperar enquanto seguem as operações de busca de 30 a 40 pessoas ainda desaparecidas. No quarto dia de protestos no país, as forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo contra manifestantes que atiravam pedras.

“Nossa casa está destruída e estamos sozinhos”, disse Khalil Haddad. “Estamos tentando ajustar o melhor que podemos no momento. Vamos ver, espero que haja ajuda e, o mais importante: espero que a verdade seja revelada.”

Os libaneses não se acalmaram com a renúncia do governo do primeiro-ministro Hassan Diab na segunda-feira e estão exigindo a saída do que consideram uma classe governante corrupta.

Ao anunciar a renúncia de seu gabinete, Diab culpou a corrupção endêmica pela explosão, a maior da história de Beirute e que agravou uma profunda crise financeira que devastou a moeda, paralisou o sistema bancário e elevou os preços.

Para muitos libaneses, a explosão foi a gota d’água em uma crise prolongada com o colapso da economia, corrupção, governo disfuncional e desperdício.

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