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Líder de Belarus diz que "não é santo" e propõe entregar cargo após referendo

MINSK (Reuters) - Alexander Lukashenko, o líder de Belarus, disse nesta segunda-feira que estaria disposto a entregar o cargo após um referendo, uma tentativa aparente de apaziguar os protestos e as greves em massa que representam o maior desafio a seus 26 anos no poder.

Presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, discursa em Minsk 16/08/220 REUTERS/Stringer

Ele fez a oferta, que insistiu em dizer que não será concretizada enquanto estiver sendo pressionado pelos manifestantes, depois que a política de oposição exilada Sviatlana Tsikhanouskaya disse estar disposta a comandar o país.

A vulnerabilidade crescente de Lukashenko ficou clara quando ele enfrentou vaias e brados de “renuncie” durante um discurso a trabalhadores de uma das maiores plantas industriais estatais do país, que são o orgulho de seu modelo econômico de estilo soviético e uma base de apoio crucial.

A Rússia disse a Lukashenko que está disposta a fornecer ajuda militar a Belarus no caso de uma ameaça externa.

Lukashenko enfrenta o risco de sanções da União Europeia desde a repressão sangrenta dos protestos realizados após o que manifestantes disseram ter sido uma reeleição fraudulenta na semana passada. Ele nega ter perdido, citando resultados oficiais que lhe deram pouco mais de 80% dos votos.

Lukashenko disse aos trabalhadores que não haverá outra eleição presidencial, algo que a oposição quer, a menos que ele seja assassinado.

Ele também propôs mudar a Constituição, uma concessão aparente que dificilmente satisfará os manifestantes.

“Submeteremos as mudanças a um referendo, e cederei meus poderes constitucionais. Mas não sob pressão ou por causa da rua”, disse Lukashenko em comentários citados pela agência de notícias estatal Belta.

“Sim, não sou santo. Vocês conhecem meu lado duro. Não sou eterno. Mas se vocês arrastarem o primeiro presidente, arrastarão países vizinhos e todo o resto.”

Falando por videoconferência da Lituânia, Tsikhanouskaya exortou agentes de segurança e de cumprimento da lei a mudarem de lado, dizendo que serão perdoados se o fizerem agora.

“Estou pronta para assumir a responsabilidade e agir como uma líder nacional durante este período”, disse Tsikhanouskaya.

Ela pediu a criação de um mecanismo legal que garanta a realização de uma nova eleição presidencial justa.

Seu vídeo foi divulgado no momento em que a agência de notícias Interfax relatava que empregados da emissora estatal BT entraram em greve – vários apresentadores e funcionários se demitiram em público na semana passada em solidariedade aos manifestantes.

Os tumultos abalaram aqueles normalmente vistos como leais ao presidente, já que trabalhadores de grandes fábricas estatais abandonaram o serviço e alguns policiais, jornalistas da mídia estatal e um embaixador também se rebelaram.

Por Andrei Makhovsky, Maxim Rodionov e Tom Balmforth em Moscou e Kate Holton em Londres

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