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Itália também ama a liberdade, mas é séria, diz presidente italiano a Johnson

Presidente da Itália, Sergio Mattarella, discursa em universidade em Sassari 24/09/2020 Assessoria de Imprensa da Presidência da Itália/Francesco Ammendola/Divulgação via REUTERS

ROMA (Reuters) - O presidente italiano, Sergio Mattarella, repreendeu o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, por insinuar que seu país ama a liberdade mais do que outros, dizendo nesta quinta-feira que a Itália ama a liberdade, mas também é séria.

Na terça-feira, Johnson disse ao Parlamento em Londres que o Reino Unido tem um índice de infecção de coronavírus pior do que o de países como a Itália e a Alemanha porque é um “país que ama a liberdade”, e que por isso resiste a restrições sociais para conter a doença.

Indagado sobre o comentário durante uma visita à Sardenha, Mattarella respondeu: “Nós, italianos, também amamos a liberdade, mas também nos importamos com a seriedade”.

O presidente extremamente discreto foi indagado sobre Johnson durante uma conversa particular, mas suas palavras logo foram divulgadas pela mídia local, e seu gabinete as confirmou.

Nesta semana, o Reino Unido impôs novas restrições para tentar frear uma segunda onda de Covid-19 que se alastra rapidamente. Cientistas do governo alertaram que pode haver 50 mil casos novos por dia até meados de outubro se ela não for controlada.

A Itália, que foi o primeiro país da Europa a ser atingido pelo contágio em fevereiro, viu os casos novos crescerem nas últimas semanas, mas até agora conseguiu evitar uma nova disparada.

Questionado no Parlamento por que as cifras britânicas são piores do que as alemãs e italianas, Johnson respondeu: “Existe uma diferença importante entre nosso país e muitos outros países de todo o mundo, e é que nosso país é um país que ama a liberdade... é muito difícil pedir à população britânica que obedeça uniformemente diretrizes da maneira que é necessária”.

O Reino Unido tem a maior taxa oficial de mortalidade da Covid-19 da Europa --cerca de 41.862. A Itália é a segunda mais afetada, somando 35.758 mortes até o momento.

Por Angelo Amante

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