April 30, 2008 / 12:52 PM / 11 years ago

Suíço descobridor do LSD morre aos 102 anos

ZURIQUE (Reuters) - Albert Hoffman, químico suíço que descobriu a droga alucinógena LCD, morreu aos 102 anos, disse a organização que republicou seu livro sobre a substância.

Albert Hoffman, o químico suíço que descobriu o LSD, em foto de arquivo. Ele morreu aos 102 anos, disse sua editora na terça-feira. Photo by ¸ Siggi Bucher

Hoffman, que defendia as propriedades medicinais da droga que chamava de “criança problemática”, morreu na terça-feira de ataque cardíaco em sua casa na Basiléia, na Suíça, disse a Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (AMEP) em seu site.

Nascido no dia 11 de janeiro de 1906, Hoffman descobriu o LSD —dietilamida do ácido lisérgico, que mais tarde se tornou a droga da contracultura dos anos 1960— quando uma pequena quantidade da substância vazou em sua mão durante um experimento em laboratório, em 1943.

Ele sentiu uma “marcante inquietação, combinada com leve tontura” que o fez interromper o trabalho.

“Em casa, me deitei e mergulhei em um tipo de intoxicação desagradável, caracterizada por uma imaginação extremamente estimulada”, disse Hoffman sobre a experiência.

“Em um estado de sonho, com os olhos fechados (a luz do sol me parecia muito clara), distingui uma série ininterrupta de figuras fantásticas, formas extraordinárias com um jogo intenso e caleidoscópio de cores”, escreveu Hoffman em seu livro “LSD — Minha criança problemática”.

“Depois de cerca de duas horas, o efeito passou”, conta.

Poucos dias depois, Hoffman tomou uma dose de LCD intencionalmente e experimentou a primeira “bad trip” do mundo —gíria usada quando o usuário tem uma reação perturbada.

“No caminho para casa, minha condição começou a assumir formas ameaçadoras. Tudo ondulou e se distorceu em meu campo de visão, como se eu olhasse para um espelho curvo”, disse ele.

Hoffmann —que acreditava que o LSD é útil na análise do funcionamento da mente e esperava que a substância pudesse ser utilizada para reconhecer e tratar doenças como a esquizofrenia— defendeu sua “criança problemática” por décadas até que ela foi proibida nos anos 1960.

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