October 21, 2010 / 10:45 AM / in 10 years

Sindicatos convocam novos protestos contra reforma na França

Por John Irish

Funcionários do sistema ferroviário protestam durante demonstração em Marselha. Um sindicalista propôs nesta quinta-feira a convocação de uma nova jornada nacional de protestos na semana que vem contra a reforma previdenciária proposta pelo governo. 21/10/2010 REUTERS/Jean-Paul Pelissier

PARIS (Reuters) - Os principais sindicatos franceses convocaram na quinta-feira mais duas jornadas nacionais de greves e protestos contra a reforma previdenciária proposta pelo governo, que pode ser votada na sexta-feira pelo Senado.

As seis principais centrais sindicais francesas sinalizaram sua intenção de continuar lutando mesmo após a eventual aprovação da reforma, com a convocação de protestos para 28 de outubro e 6 de novembro.

“O governo arca com a total responsabilidade pelos novos protestos, à luz da sua atitude intransigente, seu fracasso em ouvir e suas repetidas provocações”, disseram os sindicatos em nota após um dia de reuniões em Paris.

Horas antes, o governo de Nicolas Sarkozy anunciou que usaria uma medida especial para acelerar a aprovação do pacote, o que a oposição recebeu com indignação. Os senadores oposicionistas haviam apresentado centenas de emendas para tentar atrasar sua tramitação.

Na noite de quarta-feira, uma votação no Senado definiu que o sistema previdenciário poderá voltar a ser revisto depois da eleição presidencial de 2012, uma decisão que deve agradar os sindicatos.

Apesar da pressão popular e dos sindicatos, o conservador Sarkozy se recusa a desistir da reforma, que eleva de 60 para 62 anos a idade mínima de aposentadoria.

Por causa da greve nas refinarias e depósitos de combustível, iniciada há dez dias, quase um quarto dos 12,5 mil postos de gasolina do país estão desabastecidos, embora policiais tenham sido mobilizados para liberar o acesso a algumas centrais de distribuição.

Em duas regiões da França, as autoridades determinaram na quinta-feira um racionamento de combustível para carros e caminhões.

“Não podemos ser o único país do mundo em que, quando há uma reforma, uma minoria quer bloquear todos os demais”, disse Sarkozy. “Ao sequestrar a economia, as empresas e o cotidiano dos franceses, vamos destruir empregos.”

Para Bernard Thibault, presidente da poderosa central CGT, “o governo continua intransigente.”

“Precisamos continuar com uma ação em massa já na semana que vem... vamos pedir aos sindicatos uma ação forte, que permita às pessoas pararem de trabalhar e irem às ruas”, disse à rádio RMC.

Em vários lugares da Europa, governos têm tomado medidas para cortar gastos públicos, dívidas e déficit. Mas em nenhum lugar a reação é tão forte quanto na França.

A imprensa local chamou a atenção para o contraste em relação à Grã-Bretanha, onde medidas de austeridade anunciadas na quarta-feira — inclusive corte de 500 mil funcionários públicos e elevação da idade de aposentadoria para 66 anos — não provocaram protestos comparáveis.

“O governo francês está seguindo o exemplo econômico anglo-saxão”, disse Jean-Claude Mailly, presidente da central radical Force Ouvrière. “Ele precisa estar ciente de que está nos emparedando”, acrescentou.

ESTUDANTES NAS RUAS

Milhares de estudantes, temerosos de que a reforma piore as perspectivas de empregos para os jovens, também foram às ruas de Paris no primeiro grande protesto do outono (no Hemisfério Norte).

As demonstrações têm sido pacíficas, exceto por incidentes esporádicos na cidade de Lyon (sudeste) e em Nanterre (periferia de Paris), onde confrontos entre jovens e policiais voltaram a ocorrer na quarta-feira.

O Ministério do Interior disse que 245 pessoas foram detidas, elevando a quase 2.000 o total desde 12 de outubro.

Os protestos já começam a afetar o turismo e as atividades culturais na França. O ator Tim Robbins e sua banda cancelaram uma temporada que fariam em Paris, e a cantora Lady Gaga adiou shows marcados para a capital.

A Air France-KLM informou que as greves estão custando 5 milhões de euros por dia para a companhia aérea, e a cervejaria Brasseries Kronenbourg alertou que o seu fornecimento pode ser afetado em breve se a falta de combustível prosseguir.

Reportagem adicional de Jean-Baptiste Vey Emile Picy, Emmanuel Jarry, Yann Le Guernigou, Marc Angrand, Patrick Vignal, Muriel Boselli e Jean-Francois Rosnoblet, em Marselha; e de Dominique Vidalon

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