March 1, 2011 / 3:59 PM / 9 years ago

Militares egípcios definem cronograma acelerado para democracia

Por Marwa Awad e Tom Perry

CAIRO (Reuters) - As Forças Armadas egípcias marcaram a data provisória de 19 de março para uma votação sobre reformas constitucionais, como prelúdio para uma eleição parlamentar em junho, a ser seguida por uma eleição presidencial que inauguraria uma democracia plena. A informação foi divulgada na terça-feira por fontes do Exército.

O Conselho Supremo das Forças Armadas, que desde a deposição do presidente Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro, está no comando do país árabe mais populoso do mundo, propõe um cronograma acelerado para a abertura de um novo capítulo na história moderna do Egito.

“O cronograma anunciado pelos jovens é um cronograma preliminar para eventos-chave nos próximos meses”, disse a fonte do Exército, quando indagado sobre declarações de líderes da juventude que se reuniram com o conselho na semana passada e revelaram a data de 19 de março.

Os líderes da juventude disseram que a eleição parlamentar será feita em junho, com uma eleição presidencial seis semanas depois.

Os militares, que prometeram ficar em guarda contra uma “contra-revolução”, depois de receios de que o círculo interno de Mubarak procure conservar o controle sobre o poder, poderão fazer mais modificações no gabinete ainda esta semana, após mudanças recentes, disse a fonte.

Crescem nos círculos políticos as especulações de que o primeiro-ministro Ahmed Shafiq possa apresentar sua renúncia. Nomeado para o cargo por Mubarak nos últimos dias deste na presidência, o premiê foi alvo de um protesto na praça Tahrir na sexta-feira, pedindo seu afastamento.

A Irmandade Muçulmana, movimentos de jovens e outros grupos políticos vêm pedindo a substituição do gabinete interino, no qual as pastas-chave da Defesa, Relações Exteriores, Interior e Justiça estão nas mãos de políticos nomeados por Mubarak.

“O regime inteiro precisa partir, e isso inclui o governo de Shafiq”, disse Ibrahim Ali, que protestava na praça Tahrir.

A vida na capital egípcia ainda não voltou ao normal. Novas barracas foram montadas por manifestantes na praça Tahrir, o epicentro da revolta contra Mubarak, as escolas ainda estão fechadas, e a Bolsa de Valores, que se esperava que fosse reaberta na terça-feira, adiou sua reabertura para o domingo.

Os passos dados pelos militares em direção à democracia vêm sendo saudados internacionalmente e pela oposição no Egito, aliado-chave dos EUA no Oriente Médio e que tem um tratado de paz com Israel. O alto comando quer que o Egito volte à normalidade no menor prazo possível.

VELOCIDADE DAS MUDANÇAS PREOCUPA

Mas a trajetória acelerada mapeada pelos generais causa receios a alguns egípcios, para os quais é preciso mais tempo para a vida política se desenvolver, após décadas de opressão.

Eleições aceleradas beneficiam políticos associados ao Partido Nacional Democrático (NPD) de Mubarak que sobreviveram à campanha de combate à corrupção que vem alvejando figuras destacadas da era do ex-presidente.

Empresários e políticos antes associados ao NPD já estão se mobilizando para as eleições, enquanto outros grupos políticos ainda aguardam que o conselho militar revogue as restrições que impediam a formação de partidos, na era de Mubarak.

Reportagem de Marwa Awad, Sarah Mikhail

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