August 15, 2011 / 12:12 PM / 9 years ago

Juiz cancela cobertura do julgamento de Mubarak pela TV egípcia

Por Marwa Awad e Dina Zayed

O juiz Ahmed Refaat fala em tribunal durante julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak no Cairo, Egito, em imagem capturada a partir de vídeo. 15/08/2011 REUTERS/ TV do Egito via Reuters TV

CAIRO (Reuters) - O juiz encarregado do julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak ordenou a saída das câmeras de TV do tribunal até a conclusão do processo, enfurecendo opositores do ex-presidente, que prometeram desafiar a decisão com protestos no centro do Cairo.

O juiz Ahmed Refaat também determinou que o julgamento seja integrado ao do ex-ministro do Interior Habib el-Adli e encerrou a sessão desta segunda-feira para só retomar o caso em 5 de setembro, quando serão ouvidas as evidências do caso.

Mubarak é o primeiro líder árabe a ser julgado desde que as revoltas populares começaram a se espalhar pelo Oriente Médio. Um julgamento público era uma exigência-chave dos manifestantes que acamparam na Praça Tahrir do Cairo durante semanas em julho, pedindo um julgamento rápido.

“Absurdo!”, disse Sherif Mohamed, engenheiro que assistia ao julgamento do lado de fora do tribunal. “O caso é necessário para a opinião pública. Não transmiti-lo ao vivo significa que há um acordo com Mubarak”, acrescentou.

“À (praça) Tahir — é para lá que vamos agora. O poder das pessoas é mais forte que as pessoas no poder”, disse Mohamed Ali, de 35 anos.

Mubarak, de 83 anos, é acusado de autorizar o uso de munição real contra manifestantes, corrupção e abuso de poder.

Ele não estava usando o uniforme branco dos prisioneiros, mas um casaco esportivo. Em um tribunal lotado com advogados ansiosos, Mubarak parecia contido e austero, as mãos unidas sobre o peito.

Na chegada do helicóptero de Mubarak, simpatizantes e opositores atiraram pedras uns contra os outros. Confrontos irromperam próximo ao tribunal do julgamento, realizado em um prédio do departamento de polícia em um subúrbio do Cairo. O ex-líder, foi transportado em uma maca para sua jaula na corte.

“O ladrão chegou!”, gritaram os manifestantes anti-Mubarak, enquanto seus simpatizantes respondiam com mais barulho.

“Juiz, acorde! Mubarak matou meus irmãos! Execute o assassino!”, gritavam outros.

A multidão pró-Mubarak atirava pedras e o cordão de isolamento que separava os dois lados se rompeu, e simpatizantes de Mubarak perseguiram seus opositores.

Ele trocou algumas palavras com seus filhos Alaa e Gamal, que também estão sendo julgados e estavam dentro da mesma jaula do pai.

O juiz Ahmed Refaat chamou o nome de Mubarak e ele respondeu “presente”. Refaat pediu calma e ordenou que eles se sentassem para permitir o início do processo.

A audiência pode decidir se o chefe do conselho militar que atualmente governa o país prestará depoimento.

Advogados da defesa dizem que qualquer testemunho do marechal Mohamed Hussein Tantawi sobre o papel de Mubarak em tentar reprimir o protesto de 18 dias, em que 850 pessoas morreram, poderia definir o destino do ex-presidente.

Tantawi, que foi ministro da Defesa durante duas décadas, no governo de Mubarak, lidera o conselho militar que assumiu o poder no país quando ele foi deposto em 11 de fevereiro por protestos massivos.

Reportagem de Yasmine Saleh

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