August 20, 2011 / 9:18 PM / 7 years ago

Explosões e tiroteiros ocorrem em Trípoli, dizem testemunhas

Por Tarek Amara, Ulf Laessing e Yvonne Bell

TUNIS/ZAWIYAH (Reuters) - Explosões e tiroteiros agitavam a capital líbia Trípoli na noite de sábado, após dias de derrotas do governo de Muammar Gaddafi terem deixado insurgentes mais próximos da cidade, controlada pelas forças do ditador.

Detalhes da escalada na violência e da aproximação da capital não estavam claros, mas há especulação de que os 41 anos de governo de Gaddafi podem estar perto do fim.

Residentes de Trípoli disseram à Reuters que podiam ouvir tiros vindos de diversas localidades, e que havia manifestantes anti-Gaddafi protestando nas ruas. Contudo, o porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse que a cidade estava “estável e a salvo”.

Rebeldes líbios lutavam neste sábado em cidades costeiras de ambos os lados de Trípoli, numa tentativa de finalmente derrubar Muammar Gaddafi, enquanto a luta chegou, inclusive, a atravessar a fronteira com a Tunísia, em meio a uma guerra civil que já dura seis meses.

Os Estados Unidos disseram que os “dias estão contados” para Muammar Gaddafi, à medida que insurgentes, apoiados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), colocaram ainda mais pressão pela saída do ditador, em meio a relatos de que o número de desertores do regime aumentou.

Forças de segurança da Tunísia disseram ter interceptado invasores líbios armados em veículos além da fronteira, e que houve tiroteio durante a noite (horário local) no deserto, com diversas baixas.

Os soldados tunisianos não souberam informar se os invasores eram rebeldes ou apoiadores de Gaddafi, mas moradores da região alegaram que eram parte do regime do ditador.

Constantes explosões provocadas por granadas, morteiros e armas automáticas puderam ser ouvidas na sexta-feira no centro de Zawiyah, cidade situada na costa, a cerca de 50 quilômetros a oeste de Trípoli, na qual os rebeldes entraram nesta semana.

Morteiros atingiram um hospital central perto do amanhecer, deixando buracos nas paredes, enquanto era visíveis as cenas de destruição no interior do edifícil. Na sexta-feira, houve confrontos ao redor do hospital.

Na praça central, moradores queimavam uma bandeira verde de Gaddafi. “Gaddafi está acabado. Os civis estão começando a retornar para as cidades. A Líbia está finalmente livre”, disse um deles, que se identificou como Abu Khaled.

Em um beco próximo, moradores se aglomeravam para ver os corpos dos soldados do governo estendidos na rua. Tiroteios e explosões eram ouvidos a distância.

A tomada de Zawiyah transformou o conflito, ao deixar Trípoli sem sua principal ligação terrestre com o mundo exterior, gerando uma pressão sem precedentes sobre o mandato de 41 anos de Gaddafi.

Segundo testemunhas da Reuters, enquanto tentavam consolidar o controle da cidade e sua estratégica refinaria de petróleo, os rebeldes de Zawiyah reunidos na praça central trocaram tiros com as forças de Gaddafi, refugiadas em um hospital próximo, antes de expulsá-las.

O cerco súbito de Trípoli tem prejudicado os habitantes da capital e afetado o fornecimento de combustível e alimentos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou na sexta-feira que vai realizar uma operação de resgate em massa para evacuar centenas de trabalhadores estrangeiros, provavelmente por mar.

Em torno de 600 mil dos cerca de 1,5 a 2,5 milhões de trabalhadores estrangeiros na Líbia fugiram do país desde o início da guerra civil, mas várias centenas permaneceram em Trípoli, que até esta semana estava bastante longe dos combates e ligada a duas horas de carro à fronteira com a Tunísia.

Reportagem adicional de Missy Ryan em Trípoli e Robert Birsel em Benghazi

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