22 de Novembro de 2012 / às 11:29 / 5 anos atrás

Monumentos ao desperdício preocupam em debate orçamentário da UE

Por Barbara Lewis e Charlie Dunmore

Funcionário ajusta bandeiras na entrada da sede do Conselho da UE para cúpula de líderes do bloco para discutir orçamento de longo prazo em Bruxelas, Bélgica. Líderes da UE iniciam nesta quinta-feira uma discussão orçamentária sob pressão para evitar alguns notórios erros do passado. 22/11/2012 REUTERS/Yves Herman

BRUXELAS, 22 Nov (Reuters) - Líderes da UE iniciam nesta quinta-feira uma discussão orçamentária sob pressão para evitar alguns notórios erros do passado, como rodovias semidesertas, aeroportos onde mal pousam aviões, e ferrovias velozes com passageiros insuficientes para compensar os custos da construção.

Chegar a um acordo para o orçamento da União Europeia entre 2014 e 2020, durante negociações nesta semana em Bruxelas, já será bastante difícil. Mais duro ainda será resistir à tentação de despejar bilhões de euros adicionais em projetos que se tornem monumentos ao desperdício.

Os fundos de coesão --usados para a construção de estradas, pontes e outras obras de infraestrutura nas regiões mais pobres da UE-- respondem por 33 por cento do orçamento de 1 trilhão de euros (1,3 trilhão de dólares) que a Comissão Europeia propõe para o período de sete anos. Isso é apenas ligeiramente inferior à da maior rubrica orçamentária, a agricultura.

As verbas da UE em geral trazem muitos benefícios para os países mais pobres do bloco, e não só para eles. Por exemplo, credita-se a elas o fato de a Polônia ter evitado a recessão na atual crise, e que milhões de vidas tenham sido salvas no exterior graças à ajuda humanitária e a pesquisas médicas.

Criados para reduzir as disparidades entre os países da UE, os fundos de coesão ajudaram a transformar países como a Espanha, que saiu da pobreza e desfrutou de mais de duas décadas de extraordinário crescimento até ser abatida pela crise de 2008.

Mas, embora poucos argumentem contra investimentos sensatos, a Espanha se destaca pelos gastos excessivos. O país construiu um grande número de elefantes brancos, alguns deles bancados pela UE. Alguns espanhóis se perguntam, por exemplo, se o país precisaria ter uma rede tão ampla de trens-bala.

“Quando os políticos alardeiam que temos a maior rede de trens de alta velocidade depois da China, precisamos ficar preocupados, porque algo deu errado”, disse Matilde Mas, professora de pesquisa no Instituto de Estudos Econômicos de Valência.

Em relatório neste ano, o grupo ambiental espanhol Ecologistas em Ação disse que esses trens velozes transportam apenas um quinto do volume de passageiros da rede francesa, que é menor, e apenas um sétimo do que no Japão -- país que tem quase o triplo da população.

Os maiores beneficiários da ajuda europeia ao desenvolvimento são governos do leste e sul do continente.

O orçamento de 2007-13 dava à Polônia a maior fatia dos fundos de coesão, seguida por Espanha e Grécia. Ainda não foi tomada uma decisão sobre a divisão para o próximo período, mas Varsóvia deve continuar recebendo uma grande bolada.

A Comissão Europeia diz ter aprendido com o passado, e a Espanha deverá pela primeira vez contribuir mais do que receber.

Reportagem adicional de Robert Hetz em Madri

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