11 de Dezembro de 2012 / às 15:52 / 5 anos atrás

Rebeldes sírios lutam contra militares perto do aeroporto de Damasco

Por Dominic Evans

BEIRUTE, 11 Dez (Reuters) - Rebeldes sírios entraram em confronto com as forças leais ao presidente Bashar al-Assad perto do aeroporto de Damasco nesta terça-feira, lutando pela periferia da capital após 20 meses de conflito que, segundo a ONU, já afugentou meio milhão de pessoas do país.

Os combates perto do aeroporto, a 20 quilômetros ao sul-leste do centro da cidade de Damasco, fazem parte de um amplo confronto entre as forças de Assad e rebeldes que mantêm quase um arco contínuo de território desde o leste até a sudoeste da base de poder de Assad.

“Houve confrontos muito pesados desde ontem na cidade de Harã, no lado leste do aeroporto, e houve combate intermitente na área de Aqraba perto do aeroporto”, disse o porta-voz rebelde Mussab Abu Qitada.

“Os rebeldes estão tentando manter um cerco do aeroporto. Eles também estão em torno da base aérea Aqraba, na estrada do aeroporto internacional”, disse ele via Skype de Damasco.

O centro da capital, protegido por meses da violência que já matou 40 mil pessoas desde março de 2011, ecoou ao som do bombardeio de segunda-feira à noite, segundo moradores.

Os rebeldes, principalmente muçulmanos sunitas, obtiveram ganhos militares contra as forças ainda leais a Assad, muitos deles da minoria alauíta.

Os rebeldes tomaram bases militares em todo o país no último mês, e estão começando a cercar a capital, onde os cortes de energia e escassez de alimentos estão prejudicando os moradores que se preparam para o inverno.

Damasco vem sofrendo até 12 horas de cortes de energia por dia, dizem os moradores. O movimento em torno da cidade, salpicada de pontos de verificação de segurança, está cada vez mais difícil e soldados, forças de segurança e vigilantes locais estão em toda parte.

MEIO MILHÃO DE REFUGIADOS

O conflito começou com protestos de rua inspirados por levantes em todo o mundo árabe. As manifestações foram recebidas com tiros pelas forças de Assad e se transformaram na batalha mais longa e destrutiva das revoltas árabes.

A luta tem levado centenas de milhares de sírios a fugir para os países vizinhos e a agência de refugiados das Nações Unidas, a Acnur, disse nesta terça-feira que mais de meio milhão de pessoas foram registradas ou aguardam o registro na região.

O Líbano agora abriga 154.387 refugiados sírios registrados, a Jordânia tem 142.664, Turquia tem 136.319, Iraque 65.449, e Norte da África 11.740, informou a Acnur em um comunicado divulgado em Genebra. Além disso, existem mais de 1,5 milhão de sírios que fugiram da violência em suas casas e estão deslocadas em áreas mais seguras dentro do país.

Um grande número de sírios também cruzou para países vizinhos, mas ainda não se apresentou para registrar o estatuto de refugiado e assistência. Estes incluem cerca de 100.000 na Jordânia, 70.000 cada na Turquia e Egito e dezenas de milhares no Líbano, informou a agência, citando estimativas de governo.

Adversários políticos e armados de Assad, marcados por divisões e rivalidades ao longo de sua batalha para acabar com o regime de sua família de 42 anos, estabeleceram uma oposição política e comando militar mais unificado, na esperança de ganhar reconhecimento internacional e um maior apoio no campo de batalha.

Abu Moaz al-Agha, líder e porta-voz da poderosa Ansar al-Islam (Reunião de Partidários do Islã), que inclui muitas brigadas rebeldes islâmicas, disse que o novo comando militar dominado por islâmicos e eleito na Turquia no fim de semana merecia mais apoio estrangeiro.

A nova coalizão política de oposição, formada no Catar no mês passado, vai se encontrar com autoridades de países em sua maioria contrários a Assad em Marrocos na quarta-feira, na esperança de um reconhecimento claro como os legítimos representantes do povo sírio.

França, Grã-Bretanha, Turquia e os países do Golfo já concederam o reconhecimento formal. A União Europeia, em uma reunião na segunda-feira, chegou um passo mais perto do reconhecimento e os Estados Unidos sugeriram que poderiam também endossar a coalizão.

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