9 de Janeiro de 2013 / às 20:58 / em 5 anos

Enviado da ONU acha que regime de 40 anos de família Assad é "longo demais"

Por Erika Solomon e Peter Graff

BEIRUTE, 9 Jan (Reuters) - Os sírios consideram que os 40 anos de domínio da família Assad sobre o país é um tempo longo demais, disse o mediador internacional para a Síria, numa declaração que soa como um pedido direto para que o presidente Bashar al-Assad se afaste.

Os comentários do enviado da Organização das Nações Unidas (ONU), Lakhdar Brahimi, geram dúvidas sobre o futuro do seu plano de paz, única iniciativa diplomática importante em curso para tentar acabar com uma guerra civil que, segundo a ONU, já matou 60 mil pessoas.

Sua posição mais dura parece ser uma reação a um discurso feito no domingo por Assad, que deveria ser uma nova proposta de paz, mas na qual o presidente ofereceu poucas concessões e prometeu jamais negociar com inimigos que ele qualifica como terroristas e fantoches do Ocidente.

“Na Síria em particular, acho que o que as pessoas estão dizendo é que uma família governando por 40 anos é um tempo um pouco longo demais”, disse o argelino em entrevista transmitida nesta quarta-feira pela BBC.

“Então a mudança precisa ser real. Tem de ser real, e acho que o presidente Assad poderia assumir a liderança em responder à aspiração da sua gente, ao invés de resistir a ela.”

As declarações de Brahimi foram bem recebidas pela oposição, que nos últimos meses manifestava irritação com a recusa do enviado da ONU em adotar uma posição mais firme, excluindo qualquer papel para Assad no futuro do país.

“A declaração de Lakhdar Brahimi foi muito esperada”, disse à Reuters o ativista Walid Saffour, representante da Coalizão Nacional de oposição na Grã-Bretanha.

“Ele não criticou Bashar al-Assad antes, mas agora, depois de se desesperançar de Assad após seu discurso no domingo, ele não teve outra alternativa senão dizer ao mundo que seu regime é um regime familiar, e que mais de 40 anos já são o suficiente.”

Assad governa a Síria desde 2000. Ele herdou o cargo do seu pai, Hafez, que tomou o poder num golpe em 1970.

Há duas semanas, Brahimi se reuniu com Assad em Damasco, e desde então vem conversando com autoridades dos Estados Unidos e Rússia num esforço para resolver as divergências entre as duas grandes superpotências acerca da Síria. Uma nova rodada de negociações está marcada para a semana que vem.

Brahimi disse que Assad lhe informou em dezembro que preparava uma nova iniciativa de paz. O veterano diplomata aconselhou o presidente de que qualquer anúncio deveria ir além das propostas anteriormente fracassadas. Ele ficou desapontado com o discurso do domingo.

“Receio que o que saiu é em grande parte uma repetição de iniciativas anteriores que obviamente não funcionaram”, disse Brahimi. “Não é realmente diferente, e talvez seja ainda mais sectária e tendenciosa.”

“O tempo das reformas concedidas magnanimamente a partir de cima já passou”, disse Brahimi. “As pessoas querem ter um dizer sobre como são governadas, e querem assumir o seu próprio futuro.”

O enviado também disse não antever uma solução militar para o conflito. “O governo não vai vencer. A oposição pode vencer no longo prazo, mas, quando isso ocorrer, não haverá mais Síria, então que vitória há nisso?”

Reportagem adicional de Oliver Holmes e Alexander Dziadosz, em Beirute; e de Mohammed Abbas, em Londres

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