14 de Janeiro de 2013 / às 14:23 / em 5 anos

Chefe do Exército da Índia aumenta ameaça de retaliação sobre Paquistão

Por Sanjeev Miglani

Chefe do Exército indiano, general Bikram Singh, fala durante coletiva de imprensa, em Nova Délhi. 14/01/2013 REUTERS/Stringer

NOVA DÉLHI, 14 Jan (Reuters) - O chefe do Exército da Índia ampliou a ameaça de retaliação contra o Paquistão pelo assassinato de dois soldados na Caxemira, dizendo que pediu a seus comandantes no terreno para serem agressivos em face de provocação.

Os comentários duros do general Bikram Singh, nesta segunda-feira, acontecem em meio à crescente indignação popular pela suposta decapitação de um dos soldados mortos e parecem ter o intuito de aumentar ainda mais a tensão com o Paquistão, embora analistas afirmem que um colapso nas relações é altamente improvável.

O Paquistão acusa a Índia pela mais recente crise nas relações.

Os dois países já travaram três guerras, duas pela Caxemira, desde a independência em 1947 e agora possuem armas nucleares.

Descrevendo a decapitação do soldado como “horrível”, Singh disse em entrevista coletiva: “Nós nos reservamos ao direito de retaliar em um momento e lugar de nossa escolha”.

Os combates da semana passada foram o pior incidente de violência na Caxemira, região do Himalaia que ambas as nações reivindicam, desde que os dois lados concordaram com um cessar-fogo há nove anos.

Ambos os Exércitos perderam dois soldados cada nos confrontos em trechos da linha de cessar-fogo de 740 quilômetros este mês. A cabeça de um dos soldados foi cortada, segundo o governo indiano, inflamando os ânimos no país e levando a família do soldado a iniciar uma greve de fome exigindo que seu corpo seja trazido de volta.

“O ataque em 8 de janeiro foi premeditado, uma atividade pré-planejada. Tal operação exige planejamento, reconhecimento detalhado”, disse Singh.

As observações vieram horas antes de comandantes locais se encontrarem em um ponto de passagem na linha de cessar-fogo, pela primeira vez desde o início dos combates, para tentar reduzir as tensões. Não houve informações imediatas sobre o que aconteceu na reunião.

Singh disse que o Exército indiano honraria o cessar-fogo na Caxemira, desde que o Paquistão fizesse o mesmo, mas iria responder imediatamente a qualquer violação da trégua.

“Espero que todos os meus comandantes na linha de controle sejam agressivos e ofensivos em face de provocação e fogo”, declarou.

O Paquistão chamou as alegações indianas de propaganda e culpou o país por violações na linha de cessar-fogo.

O cessar-fogo na Caxemira entrou em vigor em novembro de 2003, sobrevivendo até mesmo à crise nas relações após os ataques a Mumbai em novembro de 2008 por um grupo militante baseado no Paquistão.

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