January 31, 2013 / 3:58 PM / 5 years ago

Palestinos aprovam relatório da ONU que critica assentamentos de Israel

Por Noah Browning

RAMALLAH, 31 Jan (Reuters) - Palestinos saudaram um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quinta-feira altamente crítico aos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, dizendo que isso justificava sua luta contra Israel.

A investigação da ONU, que foi boicotada pelo Estado judeu, pediu a Israel para interromper a construção de assentamentos incondicionalmente e começar a remover todos os 500 mil colonos israelenses dos territórios ocupados imediatamente.

“Isso é incrível. Estamos muito animados com esta avaliação sincera e com princípios das violações israelenses”, disse Hanan Ashrawi, um alto funcionário da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

O relatório da ONU, publicado em Genebra, afirmou que os assentamentos violam a Quarta Convenção de Genebra, que proíbe a transferência de populações civis para território ocupado, e poderia constituir crimes de guerra, que estão sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI).

No ano passado, os palestinos ganharam um voto na Assembleia-Geral das Nações Unidas conferindo-lhes reconhecimento de Estado de facto em territórios que Israel capturou em 1967 na guerra do Oriente Médio.

O status diplomático reforçado lhes dá acesso a muitos órgãos mundiais, incluindo o TPI, e os líderes palestinos disseram que poderiam tentar enfrentar Israel no tribunal, a menos que o país pare os assentamentos e se envolva em negociações significativas.

“O relatório confirma e aprofunda a aplicação do direito internacional e mostra que a lei se aplica a todos, e ninguém está acima dela”, afirmou à Reuters o porta-voz do governo palestino, Nour Odeh.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel condenou o relatório como “contraproducente e infeliz”, acrescentando que a única forma de resolver a disputa era através de negociações diretas.

Negociações mediadas pelos EUA entre os dois lados fracassaram em 2010 sobre a questão da construção de assentamentos. Os palestinos dizem que não vão retomar as negociações até que as construções parem. Israel diz que não deve haver pré-condições.

O Fatah, partido que detém o domínio sobre áreas controladas pelos palestinos na Cisjordânia, disse nesta quinta-feira que as violações israelenses dos direitos estavam minando as chances de paz.

“(O Fatah) não vê nenhuma oportunidade real para a retomada do processo de paz e as negociações com a continuidade da política de expansão dos assentamentos, especialmente em Jerusalém, que iria destruir o princípio de uma solução de dois Estados”, disse em um comunicado.

“(O partido) rejeita esquemas duvidosos para acabar com a causa palestina através de qualquer Estado temporário, ou outras soluções que prejudiquem o direito dos nossos povos à autodeterminação. As regras do conflito mudaram.”

Israelenses tomaram Jerusalém Oriental na guerra de 1967 e posteriormente anexaram o território, proclamando a cidade como sua “eterna e indivisível” capital. Os palestinos querem criar a capital do seu próprio Estado na metade oriental de Jerusalém.

Israel chamou as manobras de palestinos em organismos internacionais de “terrorismo diplomático”, enquanto o presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse na semana passada que uma “guerra jurídica, diplomática” na arena da ONU era uma opção justa para o seu governo.

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