18 de Fevereiro de 2013 / às 18:23 / em 5 anos

Simpatizantes de Chávez cantam e dançam em hospital da Venezuela

Por Girish Gupta e Andrew Cawthorne

Partidários do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemoram no exterior de um hospital militar após sua surpreendente volta a Caracas. 18/02/2013 REUTERS/Ewin Montilva

CARACAS, 18 Fev (Reuters) - Dançando, cantando e disparando fogos de artifício, milhares de partidários animados do presidente venezuelano, Hugo Chávez, comemoraram a volta para casa de seu herói após uma cirurgia contra um câncer em Cuba.

Era uma atmosfera tão festiva em frente ao hospital militar em Caracas, para onde Chávez foi levado na segunda-feira, que os funcionários da segurança tiveram que pedir calma para não perturbar os outros pacientes.

“Amo o presidente com toda a minha alma, graças ao Deus todo-poderoso por tê-lo trazido de volta para mim”, disse Alexandra Viloria, de 43 anos, segurando um boneco de Chávez e usando a cor vermelha de seu Partido Socialista no meio da multidão reunida em frente ao portão do hospital.

A alegria de seus fãs era desenfreada, embora Chávez continue em estado grave e haja especulação de que ele possa ter voltado para casa para renunciar e preparar uma transição suave dentro de seu Partido Socialista, em vez de voltar ao governo ativo.

Enquanto centenas iam para o hospital, situado em uma parte pobre de Caracas perto de uma favela, muitas outras pessoas invadiram as praças públicas em toda a Venezuela, e a mídia estatal incitava a atmosfera com a cobertura ao vivo.

Os ministros pediram que os venezuelanos hasteassem bandeiras nacionais.

“ELE VOLTOU! ELE VOLTOU!”

Embora seja descrito como um ditador grosseiro por muitos opositores e mal visto por empresários por suas nacionalizações agressivas e controles cambiais, Chávez é adorado por muitos na nação sul-americana de 29 milhões de pessoas.

Em seus 14 anos de governo, ele usou constantemente suas raízes humildes, linguagem comum e popular em seus discursos famosamente longos e canalizou as rendas do petróleo em projetos de bem-estar social em favelas negligenciadas.

Os adversários dizem que ele deveria ter feito muito mais pelos pobres, dada a inédita bonança nas rendas de petróleo do membro da Opep. Mas foram incapazes de romper a ligação emocional dele com um grande número de venezuelanos, e Chávez confortavelmente venceu a reeleição no ano passado.

Dando a notícia da volta de Chávez ao vivo na televisão estatal antes do amanhecer, o ministro da Informação, Ernesto Villegas, chegou até mesmo a cantar, gritando animadamente “ele voltou! Ele voltou!” - um slogan usado depois de o presidente sobreviver a um breve golpe em 2002.

Alguns rabiscaram a frase famosa nos ônibus de Caracas.

Uma grande faixa com o rosto de Chávez adornava uma das paredes do hospital militar. Seus arredores movimentados contrastavam com a paz arborizada do hospital Cimeq de Havana, onde Chávez foi tratado nos últimos dois meses.

Um dos motivos de Chávez ter buscado tratamento em Cuba desde que seu câncer foi diagnosticado, em meados de 2011, foi limitar vazamentos de informação para a mídia. Isso pode ficar mais difícil agora que ele está de volta à Venezuela louca por fofoca, no lugar da rigidamente controlada Cuba.

Houve uma reação relativamente silenciosa de partidos da oposição, que há tempos lutam para igualar o carisma de Chávez e obter apoio significativo entre os pobres.

O líder da oposição, Henrique Capriles, que provavelmente irá enfrentar o vice-presidente Nicolás Maduro em uma eleição presidencial se Chávez não se recuperar, lhe deu as boas vindas.

Mas Capriles também criticou Maduro e outros ministros sêniores, a quem acusa de negligenciar os vários problemas cotidianos da Venezuela - de crimes a buracos e aumento de preço - durante o foco na saúde de Chávez.

“Espero que a volta do presidente signifique que o Sr. Maduro e os ministros trabalhem, há milhares de problemas para resolver”, disse Capriles.

“Espero que a volta do presidente seja definitiva e signifique a suspensão imediata do ‘pacote vermelho’”, acrescentou ele, usando uma referência zombeteira a recentes medidas econômicas, incluindo uma desvalorização da moeda bolívar.

Reportagem adicional de Tomas Sarmiento em Quito

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